O salto das vendas do varejo depois da queda

Com os resultados do mês, as vendas do varejo em todo o País já superam em 8% o nível de fevereiro, antes de a pandemia

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2020 | 22h00

Há sete anos não se via uma sequência de seis meses seguidos de aumentos nas vendas do varejo como ocorreu em outubro. Com alta de 0,9% sobre o resultado de setembro, as vendas do varejo acumularam em outubro aumento de 32,9% nos seis meses que se seguiram ao fosso em que mergulhou a atividade econômica por causa da pandemia.

São auspiciosos os números da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativa a outubro. Com os resultados do mês, as vendas do varejo em todo o País já superam em 8% o nível de fevereiro, antes de a pandemia impor restrições à movimentação de pessoas e bens e à prestação de serviços e, assim, reduzir dramaticamente a atividade econômica. O aumento se refere ao varejo restrito, na classificação do IBGE.

No varejo ampliado, que inclui os setores de veículos e material de construção, as vendas já são 4,9% maiores do que as de antes da pandemia. As vendas de material de construção estão tendo um desempenho exuberante, com aumento de 2,15% sobre o nível de antes da pandemia.

As de móveis e eletrodomésticos estão 19,0% superiores às de fevereiro. Já as vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico mostram aumento de 13,3%; as de artigos farmacêuticos, de 9,6%; e as dos supermercados, de 6,1%.

As vendas de veículos, no entanto, ainda estão 5,2% menores do que as do período anterior à pandemia; e as de vestuário, 4,6% menores.

O fato de sete entre oito atividades do varejo restrito terem registrado avanço em outubro mostra que a recuperação é disseminada. Além disso, como observou o analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE Cristiano Santos, em outubro mais de 80% das empresas relataram aumento de vendas. Antes, os resultados positivos estavam concentrados nas grandes empresas. O crescimento agora é mais distribuído.

O pagamento do auxílio emergencial, a maior oferta de crédito e a redução dos juros são os fatores que explicam o bom resultado do varejo nos últimos meses. Mesmo reduzido e com menor impacto nas vendas, o auxílio emergencial “ainda é uma influência positiva”, reconhece Santos.

Mas boa parte desses fatores perderá força ou não existirá mais em 2021, o que cria uma margem de incerteza para o futuro próximo. E a inflação dos alimentos persiste.

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