O salto dos investimentos, depois do tombo

Sinais de melhora começam a surgir em maior quantidade, mas a persistência de riscos de disseminação da covid-19, até em regiões consideradas menos vulneráveis, sugere cautela nas projeções para os próximos meses

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2020 | 06h33

Como outros indicadores econômicos, os investimentos tiveram forte recuperação em maio. O resultado, na comparação com abril, é mais um sinal de que o pior da crise provocada pela pandemia pode ter passado. A despeito do avanço, porém, o quadro preocupa. O fato de, em dois meses consecutivos, os investimentos terem registrado a maior queda (de 27,5% em abril) e a maior alta (de 28,2% em maio) desde que começaram a ser calculados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) atesta a amplitude das oscilações que o coronavírus e as medidas sanitárias para combatê-lo podem provocar.

Sinais de melhora começam a surgir em maior quantidade, mas a persistência de riscos de disseminação da covid-19, até em regiões consideradas menos vulneráveis, sugere cautela nas projeções para os próximos meses. O que se pode constatar é que, pelo menos, a situação começa a melhorar.

Apesar de maio ter registrado alta recorde no Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o resultado é insuficiente para recuperar as quedas nos dois meses anteriores. Por isso, no trimestre móvel encerrado em maio, o índice ficou 20,6% abaixo do registrado no trimestre anterior e 18,4% menor do que o de um ano antes. No acumulado de 12 meses até maio, a FBCF ficou 2,8% abaixo do índice do período anterior.

De abril para maio, houve aumento muito expressivo, de 68,7%, do consumo aparente de máquinas e equipamentos (medido pela soma da produção nacional destinada ao mercado interno e as importações). A produção doméstica avançou 22% e as importações aumentaram 145,6%. Mas nem assim as perdas dos dois meses anteriores foram cobertas. Por isso, o trimestre móvel encerrado em maio registrou queda de 25,5% em relação ao anterior.

A construção civil, outro componente da FBCF, teve aumento de 14,1% em maio, na comparação com abril. Também nesse caso, o resultado foi insuficiente para compensar as perdas dos dois meses anteriores. Na comparação com maio de 2019, a redução foi de 16,0%.

Avanço bem mais modesto, de apenas 2,0% entre abril e maio, foi observado no componente classificado como “outros”, que inclui investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Pode ser sinal de dificuldades quando a atividade econômica se normalizar.

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