O sexto superávit consecutivo nas contas externas

A sequência de superávits reflete o impacto da pandemia do coronavírus sobre a economia brasileira e mundial

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2020 | 03h00

O saldo positivo das transações correntes do balanço de pagamentos em setembro, de US$ 2,320 bilhões, é o melhor resultado para o mês desde 1995, quando começa a atual série histórica das contas externas elaborada pelo Banco Central. Um ano antes, o resultado tinha sido um déficit de US$ 2,7 bilhões. O resultado positivo de setembro é o sexto superávit mensal consecutivo registrado pelas transações correntes.

A despeito de positivo para o País, pois ajuda a construir um cenário favorável para as contas externas, a sequência de superávits reflete o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre a economia brasileira e mundial. A redução da atividade econômica em todo o planeta teve efeitos notáveis sobre as transações financeiras entre o Brasil e o resto do mundo.

Com menor atividade e menor rendimento, as empresas de origem estrangeira instaladas no País reduziram suas remessas de lucros e dividendos. Por precaução ou por restrições impostas pelas autoridades sanitárias, as pessoas reduziram drasticamente as viagens ao exterior. Com menor atividade em decorrência das medidas de isolamento social destinadas a conter a propagação da covid-19, diminuiu o número de contratação de serviços e de aluguéis de equipamentos do exterior.

E as importações – inibidas pela desvalorização do real e pela queda da atividade econômica – caíram bem mais do que as exportações, assegurando bom saldo para a balança comercial. Assim, o comércio exterior tornou-se o principal fator para a obtenção de superávits consecutivos nas transações correntes do balanço de pagamentos.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, observa que desde o segundo semestre de 2006 não se registrava a sequência de seis meses com superávit nas transações correntes. Rocha destaca também o fato de a rubrica de lucros e dividendos do balanço de pagamentos ter registrado salto positivo (entrada líquida) de US$ 50 milhões em setembro; no ano passado, o resultado de setembro foi negativo, em US$ 2,555 bilhões. Desde janeiro de 2000 não se registrava resultado positivo nessa conta.

Já o investimento direto no País em setembro, de US$ 1,6 bilhão, é 73% menor do que o de 2019. Desde o início da crise, os resultados mensais têm sido menores do que os de 2019.

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