O turismo ainda em busca da recuperação

Inovações tecnológicas podem ser uma aposta para recuperação mais rápida do turismo e de ganhos no futuro

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 03h00

O faturamento do setor de turismo continua a cair, acrescentando a cada mês mais perdas às que se acumulam desde março. Do início da pandemia até outubro, a perda de faturamento do turismo chega a R$ 46,7 bilhões, de acordo com levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O valor é próximo do que o governo gastou mensalmente no pagamento do auxílio emergencial que beneficiou quase 70 milhões de pessoas, observa a entidade. Comparado com o melhor resultado da série da pesquisa, registrado em 2013, a perda real é de 38,5%. Fatura-se hoje menos de dois terços do que há sete anos.

Embora se observem sinais de redução das perdas, os resultados continuam ruins. O faturamento de outubro é 32% menor do que o de um ano antes. O de setembro já tinha sido o pior para o mês desde o início da pesquisa, em 2011.

A situação atual não alimenta grandes esperanças com relação aos próximos resultados. “O cenário de prejuízos a cada mês deve continuar no futuro próximo”, diz em nota a FecomercioSP. Sua explicação é convincente: “Há muitos negócios sendo fechados e, por consequência, muitos postos de trabalho encerrados”.

Inovações tecnológicas podem ser, também para o turismo, uma aposta para recuperação mais rápida do setor e ganhos no futuro. O fato de as ações de empresas de tecnologia que atuam no turismo estarem se valorizando indica que o mercado também faz essa aposta. É sinal de confiança.

O presente, porém, é sombrio. A retração do setor continua sendo encabeçada pelo setor de transporte aéreo, cujo faturamento de março a outubro é pouco mais da metade do registrado em igual período do ano passado. Em seguida vêm as perdas das atividades de hospedagem e hotelaria, cujo faturamento caiu 30% desde o início da pandemia. Também incorreram em perdas as atividades culturais, recreativas e esportivas (-27,2%), as locadoras de veículos, agências e operadoras de viagens (-15%) e o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual (-13,5%).

Quando as condições permitirem, o turismo pode voltar a florescer, pois há uma expressiva demanda reprimida. Recente pesquisa mostrou que um terço das pessoas quer voltar a viajar, desde que observados os protocolos de segurança.

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