O turismo continua a acumular perdas

Havia a esperança de que, passada a fase mais aguda das restrições, começassem a surgir indicações mais fortes de recuperação

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2021 | 03h00

Ao contrário de outros segmentos da economia, alguns dos quais mostram sinais robustos de recuperação, o turismo brasileiro continua a acumular perdas desde o início da pandemia. O faturamento do setor encolheu R$ 51,5 bilhões entre março e novembro de 2020, de acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Isso significa que o turismo perdeu um terço de seu faturamento (ou 33,4%) na comparação com os resultados do mesmo período de 2019.

Na comparação mensal, as perdas até se reduzem. Em outubro, o faturamento foi 32% menor do que o de um ano antes; em novembro, a redução foi de 30%. Mas é uma melhora muito lenta, o que resulta em quebras expressivas no resultado acumulado.

Havia a esperança de que, passada a fase mais aguda das restrições à circulação de pessoas, começassem a surgir indicações mais fortes de recuperação. Mas o registro, nos últimos meses, de alta no número de contaminações e de mortes pelo novo coronavírus parece ter cortado esse movimento ainda incipiente.

Os dados do faturamento mostram “um movimento no qual, em meio ao aumento de casos e mortes pela covid-19, as pessoas estão agindo com cautela no planejamento de viagens”, avalia a FecomercioSP.

O fraco desempenho está sendo determinado principalmente pelo setor aéreo. A crise cortou pela metade o faturamento das empresas de transporte aéreo. Com a queda da demanda, a oferta de assentos nos aviões foi reduzida em 36%, diz a entidade, com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Mas o desempenho de outros segmentos está longe de ser satisfatório. As empresas ligadas a atividades culturais, recreativas e esportivas viram seu faturamento cair 28,4% depois da pandemia. A rede hoteleira obteve, entre março e novembro, receitas de R$ 3,17 bilhões, 28,4% menos do que em igual período de 2019. As agências de locação de transporte ou de turismo perderam 12,2% do faturamento e as empresas de transporte terrestre, 8,3%.

A FecomercioSP defende a prorrogação de medidas de apoio ao turismo, entre elas a dispensa de devolução imediata e a possibilidade de reembolso parcelado de serviços dos quais o cliente tenha desistido, além de regras especiais para remarcações e cancelamentos.

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