Oportunidades no mercado energético global

Choque da pandemia deve reforçar tendências mais sustentáveis, criando oportunidades para as economias emergentes

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 03h00

As justas pressões contra o desgoverno federal na área ambiental não deveriam eclipsar as conquistas do País no campo do desenvolvimento sustentável. Segundo um estudo comparado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre energias renováveis no Brics, o Brasil lidera com folga o processo de transição energética no bloco.

O grupo de cinco países emergentes pode parecer demasiado circunstanciado numa perspectiva global. Mas ele responde por 41,4% da população do planeta, quase um quarto do PIB e mais de um terço do consumo e produção de energia. A China é o maior mercado de energia do mundo e há décadas tem sido a grande propulsora da demanda mundial. Nas próximas décadas, a Índia deve assumir essa posição.

Mas o porcentual de energia fóssil no bloco é elevado. Nas matrizes da China e da Índia, é de respectivamente 87% e 92%; na Rússia, de 94%; e na África do Sul, de 97%.

Já no Brasil, 45% da energia já vem de fontes renováveis. Historicamente, isso se deve às políticas voltadas para a energia hidrelétrica. Mas nos últimos anos a diversificação vem se acelerando. Hoje, 7% da matriz brasileira é composta por biocombustíveis; 4,5%, por fontes eólicas e solares; e 4%, por biomassa.

O choque da pandemia deve reforçar tendências mais sustentáveis, criando oportunidades para as economias emergentes. Ainda que tardiamente em relação aos países da OCDE, os Brics têm se engajado no esforço de reduzir emissões. O tema é cada vez mais recorrente nas suas reuniões de cúpula. 

Há inúmeras possibilidades de cooperação no comércio de energia e equipamentos de tecnologia, investimentos, financiamento e pesquisas. Cada um desses aspectos representa uma janela de oportunidades para o Brasil.

A cooperação financeira avançou a partir da estruturação do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, com boa parte dos recursos orientada para projetos em energia. A cooperação em pesquisa conta com plataformas desenvolvidas e novas tecnologias disruptivas, como o uso de hidrogênio. O gás natural pode ser um passo importante para a descarbonização dos Brics. Nesse sentido, o Novo Marco do Gás abre ainda mais possibilidades para o Brasil.

O irremediável antiambientalismo do presidente Jair Bolsonaro é um entrave. Mas este governo passará. As oportunidades permanecerão. Seja pelos ganhos econômicos, ambientais ou geopolíticos, o País não pode desperdiçá-las.

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