Os empresários estão mais confiantes

Em dezembro de 2019, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) atingiu a marca de 97,1 pontos

O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2020 | 02h00

Levantamento recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) mostra que a confiança dos empresários melhorou na passagem de 2019 para 2020. Trata-se de um fato de inegável importância, pois o bom humor dos empresários favorece as decisões de investir em máquinas, equipamentos e instalações e de contratar pessoal. Deve-se afirmar que a confiança é um fator decisivo para a recuperação sustentável da economia, como já se prenuncia nas pesquisas oficiais sobre o comércio e a prestação de serviços.

Em dezembro de 2019, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) atingiu a marca de 97,1 pontos. É o maior nível desde janeiro do ano passado e só não pode ser comemorado com mais ênfase porque ainda está abaixo dos 100 pontos que separam as faixas positivas das faixas negativas.

Como notou a coordenadora das Sondagens do Ibre-FGV, Viviane Seda Bittencourt, “o ano de 2019 termina com um resultado positivo para a confiança empresarial”. Segundo a economista, “a percepção dos empresários sobre a situação atual dos negócios avançou para o maior patamar desde 2014”, embora ainda esteja abaixo de níveis considerados normais. Acima de tudo, está presente o desafio de reduzir a incerteza, pois esta “ainda se mantém em nível elevado para que as empresas voltem a investir”.

O ICE é uma consolidação de índices de confiança dos setores industrial, de serviços, comércio e construção. Nesses quatro itens houve melhora da percepção corrente dos empresários, que está no maior nível desde abril de 2014 (antes da grande recessão, portanto). Também as expectativas – que atingiram a marca de 100,1 pontos em dezembro – são favoráveis.

Após a recuperação acentuada do ICE ao longo de 2019, a tendência de alta em 2020 poderá ser menos intensa, admitiu Bittencourt. Isso se explica porque são improváveis, segundo a economista, medidas fortes de estímulo ao consumo, tais como a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep.

Não se deve esquecer de que o principal incentivo ao consumo deverá ser o crédito, desde que concedido a juros decrescentes, viabilizados pela fixação da menor taxa básica da história brasileira. Há muito espaço para os bancos cortarem juros e emprestarem mais.

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