Os riscos da estagnação da produtividade

Nos últimos anos, a população produtiva era maior do que a de pessoas inativas. Essa fase está chegando ao fim

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2020 | 03h00

Estudos recentes de instituições internacionais mostram que o Brasil vem ficando para trás na corrida pela produtividade, mesmo na comparação com a evolução da eficiência da economia de outros países latino-americanos. Nos últimos 40 anos, pouco evoluiu a produtividade no País. Na primeira parte desse período, entre 1981 e 2001, na verdade, o índice caiu, como mostra estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A recuperação nos anos seguintes foi lenta até 2014, quando a produtividade do trabalho voltou a cair. A crise que marcou o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e o esgotamento de características demográficas favoráveis ao crescimento dificultarão novos ganhos de eficiência do trabalho. A pandemia, ainda que temporariamente, pode ter fortalecido esses fatores.

A estabilidade econômica e a boa cotação internacional dos principais produtos brasileiros de exportação que estimularam o bom desempenho da economia brasileira na primeira década deste século foram acompanhadas do chamado bônus demográfico com que o País contou no período. Trata-se do fato de que, nos últimos anos, a população produtiva, isto é, em idade de trabalhar, tem sido maior do que a de pessoas inativas (crianças e idosos). Essa fase está chegando ao fim.

Nesse período cresceram a produtividade do trabalho, que é a relação entre valor adicionado e horas trabalhadas, e a do capital, medida pela eficiência de seu uso na geração de valor. A composição das duas produtividades resulta no que o estudo chama de produtividade total dos fatores.

A crise que marcou o segundo mandato de Dilma até sua cassação (em 2016) e levou o País à recessão afetou fortemente a produtividade. A do fator trabalho diminuiu 0,5% entre 2014 e 2019 e a total, 0,6%.

A evolução nos anos anteriores é suficiente para assegurar um aumento da produtividade de 1981 até agora. Mas o avanço é modesto, de cerca de 10% ao longo de quatro décadas.

A melhora da qualidade do capital humano – o que exige mudanças profundas no sistema educacional – será fundamental para que a economia se torne mais eficiente com rapidez. Ambiente de negócios adequado, que assegure o bom desempenho dos agentes econômicos, igualmente será necessário. Mas é preciso também que haja investimentos na modernização do parque produtivo.

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