Os saques das cadernetas de poupança

Em setembro, os saques superaram os depósitos em R$ 7,7 bilhões, mostra relatório do Banco Central

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2021 | 03h00

A precaução está sendo superada pela necessidade. Famílias que vinham depositando parte de suas rendas na poupança passaram a retirar o dinheiro. Em setembro, os saques superaram os depósitos em R$ 7,719 bilhões, mostrou relatório do Banco Central (BC). Foi o maior saque líquido para o mês de setembro em toda a série do BC, iniciada em 1995. É o segundo mês consecutivo em que o saldo total da poupança diminui.

No mês passado, os depósitos totalizaram R$ 282,876 bilhões e os saques, R$ 290,596 bilhões. Os rendimentos pagos no mês somaram R$ 3,084 bilhões, de que resultou a redução de R$ 4,636 bilhões no saldo total no sistema, para R$ 1,031 trilhão.

Setembro foi o quinto mês do ano a registrar redução no saldo da poupança. As retiradas superaram os depósitos também em janeiro, fevereiro, março e agosto. Assim, no acumulado do ano, o resultado é um saque de R$ 23,349 bilhões. É uma evolução bem diferente da observada em 2020.

No ano duramente marcado pela pandemia, observou-se o que o BC denominou “poupança precaucional”. Temerosas com as consequências da pandemia e das medidas restritivas que ela impôs, as pessoas procuraram se prevenir.

O pagamento do auxílio emergencial para a população de menor renda durante boa parte do ano passado permitiu que muitas famílias poupassem. Era uma forma de se precaver contra dificuldades futuras, em razão da notória deterioração da atividade econômica e do mercado de trabalho.

Assim, no ano passado, os saldos nas cadernetas de poupança cresceram dez meses seguidos, de março – no início da pandemia – até dezembro. No início de 2021, já pressionadas pelas despesas adicionais dessa época do ano (impostos e despesas escolares), muitas famílias ficaram sem a renda adicional proporcionada pelo auxílio emergencial.

A retomada do pagamento do benefício, em abril, embora em valor menor, favoreceu os depósitos da poupança, que voltaram a crescer.

Agora, novos problemas surgem para as famílias de menor renda, as que, historicamente, mais utilizam a poupança como aplicação da renda que deixam de consumir. Para muitas delas, a parcela que conseguiam poupar pode ter se esgotado e, agora, precisam do que pouparam nos meses anteriores para pagar despesas correntes.

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