Otimismo e preocupações da indústria

Crescimento das vendas anima, mas dirigentes das empresas do setor continuam cautelosos com a pandemia

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2021 | 03h00

O crescimento das vendas vem trazendo otimismo para os dirigentes das indústrias instaladas no Estado de São Paulo. Nos primeiros quatro meses do ano, o aumento foi de 15,3% em valores reais, na comparação com o ano passado, de acordo com levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em outra pesquisa, realizada na primeira quinzena de maio, a Fiesp constatou que o empresariado industrial paulista projeta aumento real de 10,2% das vendas neste ano.

Trata-se, no entanto, de um otimismo limitado. Outros indicadores da atividade industrial em São Paulo e outras projeções dos dirigentes das empresas do setor mostram que eles continuam cautelosos. As horas trabalhadas na produção diminuíram 0,2% em abril, na comparação com março. Para o ano, as expectativas são de que o nível de emprego permanecerá praticamente igual ao de 2020 (aumento de apenas 0,3%).

Com pequena alta em relação a março, a utilização da capacidade instalada, de 80,0% em abril, manteve-se muito próxima da média histórica do setor. Mas o crescimento dos custos, projetado em 28,5% no ano, torna o cenário menos otimista.

Uma das razões apontadas pelos analistas da Fiesp para o desempenho positivo observado até agora “é o aprendizado acumulado ao longo dos meses, refletindo na adoção de protocolos eficientes, e permitindo a continuidade das atividades industriais em São Paulo”.

Para os próximos meses, fatores como a rápida recuperação da economia global – com crescimento acelerado dos Estados Unidos, da China e dos países da União Europeia, entre outros – devem impulsionar as exportações.

Já a canalização de parte da poupança das famílias para o consumo, combinada com o baixo nível dos estoques e o avanço da vacinação, tende igualmente a estimular a atividade industrial.

O vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone, observa que o arrefecimento da pandemia nos primeiros meses do ano fortaleceu as projeções de vendas da indústria. Mas o aumento do número de casos de contaminação pela covid-19 conteve o otimismo. Com o início da vacinação, e a despeito de sua lentidão e do risco de nova onda da pandemia, “os empresários seguem acreditando na recuperação”, diz Cervone.

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