Pandemia afeta mais o mercado de trabalho paulista

No segundo trimestre, a força de trabalho do País diminuiu 8,5%. Em São Paulo, a queda foi mais acentuada, de 9,1%

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 03h00

Intenso em todo o País, o impacto negativo da pandemia de covid-19 sobre o mercado de trabalho está sendo mais acentuado no Estado de São Paulo. O número de desocupados cresce mais no Estado do que no País. E, no Estado, a região metropolitana de São Paulo tem resultados piores que os das demais. Também a renda cai mais em São Paulo do que nos demais Estados para os trabalhadores com registro em carteira e para os que trabalham por conta própria. Estas são algumas conclusões do boletim Seade SP Trabalho, da Fundação Seade, com dados do segundo trimestre de 2020.

Instituição vinculada ao governo do Estado de São Paulo, a Fundação Seade utiliza, em seu boletim, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, que afere a situação do mercado de trabalho do País por trimestre. Daí a comparação dos dados de São Paulo com os dos demais Estados.

No segundo trimestre, a força de trabalho do País diminuiu 8,5% em relação aos primeiros três meses do ano. Em São Paulo, a queda foi mais acentuada, de 9,1%. A redução da força de trabalho decorre principalmente da desistência de muitos trabalhadores sem ocupação de buscar um emprego. Depois de um tempo sem sair para procurar ocupação, esses trabalhadores são excluídos da força de trabalho.

Enquanto o nível de ocupação diminuiu 9,6% no País, uma variação muito alta em condições normais da atividade econômica, o do Estado de São Paulo caiu 10,7%, segundo a Fundação Seade. Isso significa que 2,3 milhões de pessoas que vivem no Estado perderam sua ocupação entre o primeiro e o segundo trimestres.

O total de ocupados foi estimado em 19,9 milhões de pessoas e o de desocupados, em 3,1 milhões. Embora seja discretamente maior do que o do primeiro trimestre (aumento de 37 mil pessoas), o total de desocupados no Estado é ainda muito grande. Mais da metade (54,8%) dos desocupados vive na Grande São Paulo.

A renda efetiva média recebida pelos que têm alguma ocupação vem caindo no País, e mais acentuadamente em São Paulo. Na média nacional, os empregados com registro tiveram perda de 14,8% no trimestre; em São Paulo, a perda para essa categoria foi de 16,7%. Já os trabalhadores por conta própria de São Paulo perderam 27,9%, enquanto no País a perda foi de 16,6%.

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