Pandemia ainda devasta emprego e renda

Nesse cenário, estudo da OIT mostra que os estímulos fiscais geraram reação positiva nítida no mercado de trabalho

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2020 | 03h00

“Assim como devemos redobrar nossos esforços para vencer o vírus, devemos agir com urgência e em larga escala para superar suas consequências econômicas, sociais e sobre o emprego”, advertiu o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, ao apresentar, há dias, a sexta edição do Monitor da OIT: covid-19 e o mundo do trabalho. A pandemia, diz o relatório, causou perdas devastadoras nas horas de trabalho que trouxeram, como consequência, uma queda “drástica” da renda de trabalhadores em todo o mundo. Seus efeitos persistem e continuarão a prejudicar o mercado de trabalho no último trimestre do ano.

A estimativa da OIT é de que a renda do trabalho tenha encolhido o equivalente a US$ 3,5 trilhões (ou 10,7%) nos três primeiros trimestres deste ano na comparação com a renda do trabalho no período janeiro-setembro do ano passado. Para diferentes segmentos da população, parte dessa perda foi compensada por medidas de complementação de renda ou de auxílio a fundo perdido concedido pelos governos.

Os resultados são bem piores do que os estimados no relatório anterior, divulgado no fim de junho passado. Na projeção anterior, estimava-se que haveria redução de 14% nas horas trabalhadas em relação ao ano passado (o que corresponderia a 400 milhões de empregos em tempo integral); a nova estimativa é de queda de 17,3%, equivalente à perda de 495 milhões de empregos.

As perdas são disseminadas, mas afetam mais dramaticamente os trabalhadores e trabalhadoras da América Latina e do Caribe. A OIT estima que as perdas da renda do trabalho na região foram de 19,3% nos três primeiros trimestres do ano, quase 9 pontos porcentuais mais do que a média da perda mundial. A redução representa 10,1% do PIB regional, bem maior, proporcionalmente, do que a das demais regiões.

O estudo mostra que, nos países onde há dados para a análise, há correlação nítida entre estímulo fiscal e reação do mercado de trabalho. Naqueles em que o estímulo é maior, as perdas de horas de trabalho são menores. Daí a OIT defender “o apoio sustentado para empregos, negócios e renda”. Mas há forte concentração de estímulos fiscais nos países de alta renda, visto que os governos dos países emergentes e em desenvolvimento têm baixa capacidade financeira.

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