Pandemia deverá agravar queda do setor de serviços

O recuo de 6,9% em março foi o pior da série histórica do IBGE e, a partir de agora, a situação só tende a se agravar

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 03h00

Com indicadores piores do que os previstos pelos especialistas, o setor de serviços já se mostrou, em março, incapaz de superar os primeiros efeitos da crise sanitária. A partir de agora, a situação só tende a se agravar. Os resultados de março, apontando para queda de 6,9% em relação a fevereiro, foram os piores da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em janeiro de 2011. Segundo o gerente da PMS, Rodrigo Lobo, indicadores antecedentes dão conta de que os números de abril serão acentuadamente negativos em relação aos de março.

Na comparação entre março de 2019 e março de 2020, a contração foi de 2,7%, interrompendo uma sequência de seis taxas positivas. Na comparação entre períodos de 12 meses, ainda há leve alta (+0,7%), mas entre os primeiros trimestres de 2019 e de 2020 ocorreu queda de 0,1%, após seis trimestres de alta.

Embora os serviços sejam muito dependentes do comportamento da indústria e do comércio, cabe lembrar que o setor terciário é o que mais pesa no Produto Interno Bruto (PIB) e o que mais contrata.

O recuo foi generalizado, com destaque para as atividades mais impactadas pela pandemia, caso das que dependem do emprego e da renda dos trabalhadores. Entre fevereiro e março, caíram 31,2% os serviços prestados às famílias, no pior resultado mensal da série. Declinou dramaticamente a receita das empresas do ramo de alojamento e alimentação (-33,7%), seguindo-se a queda de 9% nos transportes, com recuo de 27,5% no segmento aéreo. Baixa menos intensa foi vista nos serviços de informação e comunicação, de serviços profissionais, administrativos e auxiliares e de outros serviços, tais como academias, salões de beleza e barbearias, objeto das atenções do governo federal.

Dada a ampla gama de serviços prestados à economia, envolvendo um contingente de mais de 60 milhões de trabalhadores formais e informais, o setor terciário é o mais atingido pela crise e o que mais dependerá, para se reerguer, das medidas creditícias e fiscais oferecidas nos últimos dias. Ênfase especial deve ser conferida ao auxílio emergencial cuja primeira parcela foi paga nos últimos dias. Esse auxílio permitirá não só assegurar itens básicos para as famílias, como a manutenção de um mínimo de atividade do setor de serviços.

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