Pandemia reduz investimentos, já muito baixos

Além de investir pouco de seus próprios recursos, Brasil começa a enfrentar dificuldades para atrair capitais externos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 03h00

Grave por si só, o fato de o Brasil ter sido um dos países que mais reduziram investimentos depois da chegada do novo coronavírus não é, infelizmente, o dado mais preocupante a respeito da capacidade da economia de retomar o crescimento num ritmo acelerado em futuro próximo. A recessão mundial provocada pela pandemia apenas agravou um problema que o País enfrenta há décadas e para o qual não consegue encontrar respostas adequadas. Trata-se do fato de que o nível de investimento no Brasil tem sido muito menor do que o dos países que mais crescem e modernizam seu parque produtivo e abaixo até mesmo da média de outros países latino-americanos.

Infraestrutura insuficiente e mal conservada, economia cada vez menos habilitada a concorrer internacionalmente, carências em áreas essenciais para a vida das pessoas, como saúde pública, educação e saneamento, são parte do retrato desse atraso.

Numa amostra de 31 países desenvolvidos e em desenvolvimento, o Brasil foi o quarto que mais perdeu investimentos (redução de 15,4%) no segundo trimestre deste ano, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) obtido pelo Estado. O estudo se baseia em dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Essa perda ocorreu num momento em que a economia brasileira ainda se recuperava da recessão que começou em 2014 e se estendeu até o início de 2017. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem sido muito lento desde então. Com a redução ocorrida entre abril e junho deste ano, estima-se que a taxa de investimentos no Brasil tenha caído para 15% do PIB. É cerca de 30% menor do que a observada em 2014, quando a taxa de investimento alcançou seu nível mais alto em muitos anos, de 21% do PIB. 

Embora recorde para os padrões brasileiros, a taxa registrada há seis anos já era baixa na comparação com a de países que, nas últimas décadas, conseguiram superar o estágio de economia em desenvolvimento para ocupar espaços crescentes no mercado mundial, sobretudo de produtos industrializados. No ano passado, entre 170 países, o Brasil só investiu mais do que 15 deles, de acordo com o FMI.

Além de investir pouco de seus próprios recursos, o Brasil começa a enfrentar dificuldades para atrair capitais externos.

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