Pandemia, trabalho remoto e renda média

Covid afetou duramente o mercado de trabalho, fazendo o total de pessoas ocupadas cair de 84,4 milhões em maio para 81,5 milhões em julho

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 03h00

O total de pessoas ocupadas que exercem atividade de maneira remota (em regime de home office) vem diminuindo lentamente depois de ter atingido seu pico em maio do ano passado. Sua oscilação tem sido bem menos intensa do que a do número de pessoas ocupadas, mas não afastadas do local de trabalho.

Essa diferença na evolução do peso das duas formas de trabalho pode ser conferida em estudo publicado na edição do quarto trimestre da Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ela sugere, em princípio, maior estabilidade dos trabalhadores que passaram a desempenhar suas atividades em regime remoto do que a dos demais. Características dos trabalhadores em regime remoto parecem justificar a maior permanência no emprego observada entre eles.

A pandemia afetou duramente a evolução do mercado de trabalho, fazendo o total de pessoas ocupadas cair de 84,4 milhões em maio para 81,5 milhões em julho. O resultado, portanto, foi o aumento de praticamente 3 milhões no grupo dos desempregados em dois meses.

Medidas de apoio à atividade econômica, como as que facilitaram a concessão de créditos e de auxílio financeiro de emergência para as classes de renda mais baixa, tiveram efeito rápido sobre o mercado de trabalho. Assim, em outubro, o total de pessoas ocupadas, de 84,1 milhões, praticamente voltara ao nível de maio.

Nesse período, depois de ter atingido seu pico em maio, como rápida resposta das empresas e dos trabalhadores às necessidades de isolamento social impostas pela pandemia, o número de pessoas em trabalho remoto variou bem menos. Eram 8,7 milhões em maio e, em outubro, 7,6 milhões.

A variação mostra que o retorno ao trabalho presencial tem sido lento. A persistência de altos números de novos contaminados e de mortes diárias pela covid-19 deve manter ou até reduzir a velocidade do retorno.

Mesmo representando pouco mais de 9% das pessoas ocupadas, as que trabalham remotamente recebem 18,5% da renda total do trabalho. São, em média, mais bem remuneradas do que as demais pessoas ocupadas. Há razões para isso. O Ipea mostra, por exemplo, que os que trabalham remotamente são em geral trabalhadores formais e com escolaridade de nível superior. A maioria é do gênero feminino e com idade entre 30 e 39 anos. 

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