Parceria que vem perdendo importância

A pandemia e a crise dela decorrente reduziram as trocas, especialmente de produtos industrializados, principal item da pauta de exportações da Argentina para o Brasil

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2020 | 04h00

Pandemia, crise econômica e financeira acentuada em um dos lados, relações diplomáticas e econômicas prejudicadas por objetivos políticos locais, interesse e esperteza de uma grande potência, entre outros fatores, estão mudando a balança comercial entre o Brasil e a Argentina. No primeiro semestre deste ano, o Brasil perdeu a posição de principal destino dos produtos argentinos, tendo sido superado pela China. Nos oito primeiros meses do ano, a Argentina perdeu, para a Holanda, a condição de terceiro maior comprador de produtos brasileiros.

Os números são notáveis. Em maio, segundo dados do governo do presidente Alberto Fernández, as exportações argentinas somaram US$ 5,061 bilhões, dos quais a China absorveu US$ 963 milhões, ou 19%. Já as exportações para o Brasil, que vinham sendo há muito tempo as maiores, somaram US$ 389 milhões, menos da metade do total registrado um ano antes.

Pelas contas brasileiras, de janeiro a agosto, as exportações do País para a Argentina somaram US$ 5.119,8 milhões, redução de 25% em um ano.

No ano passado, a Holanda era o quarto principal destino das exportações brasileiras (US$ 5.745,1 milhões). Também as destinadas à Holanda diminuíram neste ano, mas a queda foi menor do que a das vendas para Argentina. No caso da Holanda, a redução foi de 7,5%, para US$ 5.325,3 milhões, valor maior do que o exportado para a Argentina.

Na eleição presidencial argentina do ano passado, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro manifestou publicamente seu apoio a Mauricio Macri, candidato derrotado por Alberto Fernández. Há mais de dez meses no cargo de presidente da Argentina, Fernández não teve nenhuma conversa com Bolsonaro, embora Brasil e Argentina mantenham tradição de diálogo. De algum modo, esse distanciamento prejudica o comércio bilateral.

A pandemia e a crise dela decorrente reduziram as trocas, especialmente de produtos industrializados, principal item da pauta de exportações da Argentina para o Brasil. Mas a China, com fortes interesses na região, aumentou tanto suas importações da Argentina (especialmente de produtos agrícolas) como suas exportações (de produtos industrializados). Com a retomada da atividade econômica, as exportações argentinas para o Brasil tendem a crescer. Mas as mudanças podem ser duradouras.

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