Pequeno aumento emprego na indústria de SP

Saldo de empregos na indústria paulista ficou em 9,5 mil postos de trabalho em abril

O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 04h00

O fato de o saldo de empregos na indústria paulista (admissões menos demissões) ter ficado em 9,5 mil postos de trabalho em abril, de acordo com dados há pouco divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), pode até ser considerado razoável diante das atuais circunstâncias. Isso representa uma variação positiva de 0,45% na série sem ajuste sazonal e negativa de 0,21% com o ajuste. Os puxadores de emprego na indústria de São Paulo no mês foram os setores de produtos alimentícios (10.497 vagas); coque, derivados e petróleo, álcool e biocombustíveis (2.216); e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (620).

As áreas que têm sido mais afetadas pelo desemprego são, principalmente, artigos de vestuário e acessórios (-738 postos), veículos automotores, reboques e carrocerias (-682) e couro e calçados (-505). As demissões predominaram na região do ABCD (-0,23%) e na Grande São Paulo (-0,13), mas no interior o emprego cresceu 0,73%.

A expectativa era de que a sazonalidade da cana-de-açúcar tivesse um efeito maior. Mas, como afirma José Ricardo Roriz, vice-presidente da Fiesp, esse setor gerou “contratações abaixo da média dos anos anteriores, que é de 27 novas vagas. Os demais setores da indústria estão em compasso de espera em razão do baixo desempenho econômico”.

Se é improvável uma reação mais forte do mercado interno nos próximos meses, em razão sobretudo das incertezas políticas, a exportação de produtos manufaturados pode vir a impulsionar alguns setores da indústria, não obstante a crise da Argentina.

Segundo números do Ministério da Economia, nas duas primeiras semanas de maio, as vendas externas de produtos manufaturados registraram aumento de 36,6% em relação a idêntico período de 2018, somando US$ 352,3 milhões. Entre os produtos mais exportados estão óleos combustíveis, autopeças, partes e turbinas para aviação, laminados planos de ferro/aço, máquinas e aparelhos de terraplenagem. Os semimanufaturados, incluindo celulose, ferro-ligas, ferro fundido etc, tiveram aumento de 28,8%.

Esse surto pode ser consequência da alta da cotação do dólar, que vem levando mais empresas a buscar mercado no exterior. De qualquer forma, é um elemento a considerar em uma fase tão problemática para a economia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.