Perda recorde de postos de trabalho

A lenta evolução da taxa de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE pode sugerir que o problema da falta de trabalho não seja tão grave quanto se previu no início da pandemia

Notas e informações, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2020 | 05h00

A lenta evolução da taxa de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode sugerir que o problema da falta de trabalho não seja tão grave quanto se previu no início da pandemia e quanto de fato é. A taxa passou de 12,2% no primeiro trimestre do ano para 13,3% no período abril-junho.

Como os efeitos da pandemia e das medidas para seu enfrentamento, especialmente o isolamento social, só foram mais sentidos nas últimas semanas de março, os dados do primeiro trimestre foram pouco afetados pela crise sanitária. Já os do segundo trimestre, que inclui os dois piores meses (abril e maio) para o emprego e a atividade econômica, captam todo o impacto da crise. No entanto, a taxa de desocupação subiu apenas 1,1 ponto porcentual entre os dois períodos. É variação alta para uma economia em situação normal, mas menos dramática do que a que se podia estimar para um mundo duramente atingido pela propagação da covid-19.

Não há erro. Há, sim, um fenômeno estatístico cujo efeito social – dramático, como se previa – pode ser avaliado por outros dados da Pnad Contínua. O desemprego só não aumentou mais porque a população fora da força de trabalho (simultaneamente fora da população econômica ativa e da condição de desocupada) atingiu o maior contingente de toda a série da pesquisa do IBGE, iniciada em 2012. São 77,8 milhões de pessoas em idade de trabalhar que estão nessa condição, 10,5 milhões mais do que no primeiro trimestre e 13,0 milhões mais do que de um ano antes.

Visto pelo lado menos sombrio do mercado, o dos que têm alguma ocupação remunerada, o quadro continua ruim, pois houve perda recorde de postos de trabalho. Assim, a população ocupada, de 83,3 milhões de pessoas, ficou no seu menor nível desde o início da pesquisa. Desde o início da pandemia, 8,9 milhões de pessoas perderam ocupação. Boa parte dessas pessoas trabalhava na informalidade.

Com milhões de pessoas a menos recebendo remuneração, a massa de salários em circulação na economia encolheu R$ 9,4 bilhões em um ano (queda de 4,4%). O fato de o rendimento médio dos trabalhadores ocupados ter registrado alta de 4,6% em um ano indica que, por faixa de renda, a parcela mais afetada pelo desemprego é a que ganha menos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.