Perspectivas ainda incertas para o consumo

Falta saber se os consumidores estarão dispostos a se endividar antes de uma melhora do mercado de trabalho

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 03h00

Os indicadores recentes de consumo melhoraram, mas ainda não permitem alimentar confiança numa recuperação forte. Depois da queda do Índice de Confiança do Comércio elaborado pela Fundação Getúlio Vargas entre setembro e outubro, após cinco meses de alta, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou uma pequena alta em igual base de comparação. Mas, ao atingir 68,7 pontos em outubro, o ICF cresceu apenas 0,9% em relação a setembro e está muito abaixo do nível de satisfação de 100 pontos, sendo o pior para o mês de toda a série.

A comparação entre setembro de 2019 e de 2020 é ruim: em média, o ICF caiu 26,4%, puxado pelos itens momento para duráveis (-34,6%), perspectiva de consumo (-33%), renda atual (-30,5%) e nível de consumo atual (-29,7%). Emprego atual e perspectiva profissional estão próximos da média, influenciada para baixo pelo item acesso ao crédito (-7,6%).

Na avaliação por faixa de renda, houve queda tanto nas famílias com renda inferior a 10 salários mínimos mensais como naquelas com renda superior a 10 mínimos. Pelo critério regional, as maiores quedas anuais ocorreram no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste. O recuo foi menos intenso no Sudeste e no Sul – mas, entre setembro e outubro, o Sul registrou declínio de 3,1%.

Predominam a insegurança quanto ao emprego atual e a percepção de uma forte queda de renda em relação ao ano passado, que atinge, em média, 42,3% dos pesquisados.

Uma retomada do consumo, portanto, passa a depender da oferta de crédito. Falta saber se os consumidores estarão dispostos a se endividar antes de uma melhora do mercado de trabalho. A maioria das famílias acredita que vai consumir menos no quarto trimestre do ano, justamente quando as vendas no varejo são, sazonalmente, bem superiores à média anual.

Resultados melhores foram registrados pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), mostrando que os lojistas estão mais esperançosos quanto a uma recuperação. Mas, à vista dos indicadores da CNC, é possível que a retomada seja modesta, pois depende da melhoria da condição financeira das famílias e das expectativas para 2021, perturbadas pelas políticas oficiais erráticas.

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