Perspectivas difíceis para o emprego

Segundo a Pnad Contínua, taxa de desocupação atingiu 12,2% no primeiro trimestre, o equivalente a 12,9 milhões de desempregados

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2020 | 03h00

Presságios ruins para o emprego – que se destaca entre as maiores vítimas da crise do novo coronavírus – estão presentes em duas pesquisas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV): o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) registrou em abril a maior queda mensal (42,9 pontos) e o menor nível da série histórica iniciada em 2008 (39,7 pontos), enquanto o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) subiu 5,9 pontos, para 98,4 pontos, maior aumento na margem e maior patamar desde dezembro de 2018. Quanto menor o IAEmp, piores são as perspectivas para o emprego. E quanto maior o ICD, mais aguda é a dificuldade para os trabalhadores encontrarem uma vaga.

O pessimismo em relação ao mercado de trabalho é enfatizado pelo economista Rodolpho Tobler, da FGV. “Os níveis recordes de incerteza tornam empresários e consumidores cautelosos, gerando uma deterioração das expectativas nos próximos meses”, afirma. Para que as perspectivas para o emprego retornem ao padrão de normalidade, o IAEmp terá de atingir 100 pontos – e está, hoje, 60,3 pontos abaixo disso.

Já a alta do ICD, notou Tobler, “não foi tão forte quanto a (queda) do IAEmp, mas o aumento recorde no mês aproxima a série dos níveis mais altos já observados”. Ou seja: “Não há, no curto prazo, expectativa de reversão da tendência negativa iniciada nos últimos dois meses e aprofundada em abril”.

Dois aspectos despontam entre os mais complicados para o emprego. Primeiro, a situação corrente dos negócios do setor industrial é pior do que a dos segmentos de comércio e serviços em geral. Segundo, as classes familiares com renda mensal inferior a R$ 2,1 mil e superior a R$ 9,6 mil são as mais atingidas. Isto aponta tanto para o agravamento das condições de um setor (a indústria) que já vivia graves dificuldades como para o impacto da crise sobre segmentos de menor renda e, portanto, menor capacidade de reação e que mais dependem dos programas governamentais.

Os dados do Ibre/FGV reforçam o temor de piora do desemprego. A taxa de desocupação atingiu 12,2% no primeiro trimestre, o que correspondeu a 12,9 milhões de desempregados, 1,2 milhão mais do que no trimestre anterior, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE.

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