Perspectivas positivas para os salários

Em 2019, o reajuste médio dos salários foi de 4,3%; porcentual é mais elevado do que o de 3,2% observado em 2018

O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 04h00

A crença na retomada da economia chega ao mercado de trabalho, como evidencia a edição de janeiro de 2020 do boletim Salariômetro, editado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP) sob a coordenação de um especialista no setor, o professor Hélio Zylberstajn. Houve redução do número de acordos trabalhistas firmados com índices superiores à inflação, mas cresceram os benefícios concedidos aos trabalhadores e há expectativas positivas para 2020.

O Salariômetro tabula números da publicação Mediador do Ministério da Economia, que divulga todos os dados e informações sobre acordos e convenções coletivas. Em 2019, o reajuste médio dos salários foi de 4,3%. É um porcentual mais elevado do que o de 3,2% observado em 2018, mas em 2018 o INPC subiu 3,43%, quase um ponto porcentual menos do que em 2019 (4,42%), com efeitos negativos sobre os salários.

Assim, entre 2018 e 2019 a proporção de reajustes abaixo da inflação medida pelo INPC aumentou de 9,9% para 25% e também cresceu – de 14,6% para 25,6% – a proporção de ajustes iguais ao INPC, com a consequente queda, de 75,5% para 49,4%, das correções acima do INPC.

Mas esta situação tende a se modificar a partir do próximo trimestre, avalia Zylberstajn, com a queda do INPC e a volta dos reajustes reais de salários. Isso tende a ocorrer no contexto de uma recuperação da atividade negocial de sindicatos e empresas, com pautas favoráveis aos trabalhadores.

Além de benefícios maiores (como alimentação e adicional de hora extra), os itens mais negociados em 2019 foram reajuste salarial, contribuições sindicais e piso salarial. Também diminuíram – de 58 para 23 –, os acordos com redução de jornada e de salário, o que é boa notícia.

Zylberstajn acredita que as negociações salariais serão, neste ano, tão difíceis quanto o foram em 2019. Além disso, há expectativas mais favoráveis para o emprego formal, mas os indicadores gerais de desemprego continuam ruins. O número de desocupados deverá persistir acima de 11 milhões de pessoas, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE.

Se houver melhora no mercado formal de trabalho, notadamente quanto a renda e benefícios para os empregados, esta poderá ser uma das bases de apoio para a recuperação do ritmo da atividade econômica.

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