PIB chinês recua pela primeira vez em 28 anos

A disseminação do novo coronavírus fechou fábricas, comércios, escolas, estradas e aeroportos. Um círculo vicioso, afetando a oferta e a demanda de bens e serviços

Notas & Informações, Impresso

19 de abril de 2020 | 06h08

Pela primeira vez desde 1992, a economia da China se contraiu nos primeiros três meses do ano. O PIB do país asiático recuou 6,8% no 1.º trimestre de 2020, quando comparado ao mesmo período de 2019, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) no dia 17. Contraposto ao resultado do 4.º trimestre de 2019, quando a economia chinesa expandiu 6%, o severo impacto da pandemia de covid-19 fica ainda mais evidente. A razão da queda do PIB chinês após 28 anos de crescimento ininterrupto não haveria de ser outra. A disseminação do novo coronavírus fechou fábricas, comércios, escolas, estradas e aeroportos. Um círculo vicioso, afetando a oferta e a demanda de bens e serviços, fechou-se juntamente com milhões de pessoas que se viram obrigadas a ficar confinadas em suas casas da noite para o dia.

O recuo do PIB no início de 2020 era esperado, afinal, a China foi o primeiro país a ser afetado pela maior emergência sanitária em um século. No entanto, o resultado surpreendeu positivamente porque a maioria das projeções do mercado era um tanto mais pessimista. A média apurada pelo The Wall Street Journal indicava que a queda do PIB chinês no começo deste ano seria de 8,3%. A que mais se aproximou do resultado divulgado foi a projeção feita pela Reuters, que após ouvir 62 economistas estimou um recuo de 6,5%. A pequena retomada econômica que pôde ser observada em março, ao contrário dos meses de janeiro e fevereiro, ajuda a explicar por que projeções mais negativas não se confirmaram.

No mês passado, a China flexibilizou a política de isolamento à medida que a taxa de disseminação do Sars-Cov-2 passou a dar sinais de estabilização, em especial em Wuhan, grande polo industrial do país. Embora tenha caído 1,1% neste ano em relação ao 1.º trimestre de 2019, a atividade industrial chinesa, notadamente no segmento médico-hospitalar, tem sido fortemente demandada pelo mundo inteiro, a ponto de não conseguir produzir equipamentos de proteção individual, respiradores e kits de testes para covid-19 em quantidade suficiente para dar conta de atender a todos os pedidos.

Em 2020, a China deverá crescer 1,5%, a menor taxa em mais de quatro décadas. Só não haverá queda, dizem analistas, porque uma demanda reprimida deverá ser atendida tão logo os efeitos da pandemia comecem a arrefecer. O Brasil tem a China como seu maior parceiro comercial. Seria bom olhar com mais pragmatismo e menos aleivosias para a relação bilateral.

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