Piora o ambiente econômico na AL e no mundo

Conflitos políticos abertos tendem a provocar retraimento de investidores locais e globais nos países conflagrados.

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2019 | 05h00

É global, não se limitando à América Latina, a piora do clima econômico avaliado a cada trimestre pelo instituto alemão Ifo e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nos Estados Unidos, na União Europeia, na China e no Japão o Indicador de Clima Econômico de outubro se deteriorou. O que agrava o quadro é a confrontação entre governos e grupos ativistas, primeiro no Equador e no Chile, depois na Bolívia, onde o presidente Evo Morales renunciou – fato posterior à divulgação da pesquisa Ifo/FGV. 

Conflitos políticos abertos tendem a provocar retraimento de investidores locais e globais nos países conflagrados. Não basta que o Chile, por exemplo, apresente condições macroeconômicas superiores às dos demais países da região. A exacerbação dos conflitos distributivos contribuiu para o recuo dos indicadores do país.

Tomada a região latino-americana como um todo, o indicador Ifo/FGV registrou queda pelo terceiro trimestre consecutivo. Ainda no campo positivo, o indicador de expectativas (IE) caiu de 17,2 pontos em julho para 15,5 pontos em outubro deste ano. Já o índice de situação atual (ISA), que já era negativo em 61,3 pontos (de um máximo de 100) em julho, atingiu 63 pontos em outubro. 

Alguns países contribuíram para a queda das médias latino-americanas. Na Argentina, o IE atingiu em outubro 55,4 pontos negativos, ante 21,2 pontos em julho. Em igual período, o ISA argentino passou de 84,6 para 100 pontos negativos. Ou seja, não pode piorar e alcançou patamar igual ao da Venezuela.

O Brasil, medido pela média do clima econômico dos últimos quatro trimestres, está entre os seis melhores países latino-americanos, abaixo de Paraguai, Chile (que perdeu o 1.º lugar), Colômbia, Peru e Bolívia. Abaixo do Brasil estão Uruguai, Argentina, México, Equador e Venezuela. 

Na pontuação brasileira, os especialistas do Ifo/FGV consideraram que os maiores problemas, por ordem decrescente, são infraestrutura inadequada, demanda insuficiente, falta de competitividade internacional, falta de inovação, corrupção, barreiras legais para investidores, falta de mão de obra qualificada, instabilidade política, aumento da desigualdade de renda e barreiras às exportações.

Mesmo havendo relativa confiança (50%) na política do governo, a pauta de problemas é longa e deve ser enfrentada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.