Pode estar de volta o problema da dívida federal

O resultado é que a dívida, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), poderá crescer muito neste ano

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2020 | 03h00

Os números de fevereiro da dívida pública ainda não refletiram as agruras econômicas derivadas da pandemia do coronavírus: a dívida do Tesouro em real e em dólar atingiu R$ 4,28 trilhões, com alta nominal de 1,22% sobre janeiro. A partir de março, os indicadores da dívida começarão a mudar.

A mudança já começa via recompra pelo Tesouro das posições que os investidores precisam vender, que atingiu montante de R$ 33,1 bilhões entre os dias 1.º e 25 de março. A partir de abril, mais provável é que o Tesouro tenha de elevar a oferta de papéis para financiar as despesas em que a União incorrerá para financiar empresas atingidas pela crise, principalmente as de pequeno e médio portes, além de famílias cujos chefes perderam o emprego ou a renda – ou ambos – e têm de receber suporte para se alimentar e fazer gastos essenciais, como em remédios e saúde em geral.

O resultado é que a dívida, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), poderá crescer muito neste ano. O ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga falou, sem explicitar, em acréscimo de despesas federais da ordem de 3% a 4% do PIB só por conta da pandemia. Se a hipótese se confirmar, a dívida bruta, que era projetada pelo Tesouro em 77,9% do PIB em 2020, deverá ultrapassar os 80% do PIB.

Esses porcentuais só não serão mais altos por causa da substancial diminuição do custo da dívida. O custo médio dos últimos 12 meses da dívida em reais (de cerca de 95% do total) caiu de 8,72% ao ano, em janeiro, para 8,5% ao ano, em fevereiro. O custo médio da dívida total (9,12% ao ano) só é maior por causa da exposição em moeda externa, ao custo de 25,41% nos últimos 12 meses.

Sem a pandemia, o comportamento da dívida não causaria preocupação. Fundos de investimento, entidades de previdência e instituições financeiras detêm as maiores posições, seguidos por investidores estrangeiros. Estes elevaram suas posições num só mês de 10,89% para 10,93% do total – porcentual diminuto de crescimento, mas indicativo do bom humor dos aplicadores em relação ao Brasil.

Outro bom sinal esteve no interesse dos pequenos investidores pelo Tesouro Direto. O número de aplicadores atingiu 1,213 milhão e eles têm, em conjunto, R$ 58,8 bilhões, cerca da metade em papéis corrigidos por índices de preços.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.