Poupadores sacam reservas para pagar contas

Em janeiro, foram sacados R$ 9,4 bilhões das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 04h00

Recursos de R$ 9,4 bilhões foram sacados das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) em janeiro, superando as expectativas dos especialistas. No mês passado, o comportamento dos depósitos de poupança foi o pior dos últimos três anos e quase tão ruim quanto o de janeiro de 2016, quando os saques líquidos atingiram R$ 9,5 bilhões. Incluindo a remuneração, os saldos totais caíram de R$ 618 bilhões para R$ 611 bilhões.

As cadernetas do SBPE, cujos recursos se destinam principalmente para o financiamento de imóveis, registraram ingressos líquidos de quase R$ 28 bilhões em 2018, mas o crescimento dos depósitos perdeu ímpeto no último trimestre do ano passado. Esse arrefecimento parece ter-se repetido em janeiro de 2019.

O primeiro mês do ano é, sazonalmente, marcado pelo maior volume de retiradas, para quitar despesas com IPVA, IPTU, material escolar e férias. Mas os saques também refletem maiores mudanças nas finanças das famílias. As retiradas permitem supor que os poupadores preferiram reduzir reservas a arcar com os custos elevados do endividamento ou com o risco de inadimplência. Indiretamente, isso é confirmado pelo fato de que houve queda no volume de dívidas e nos atrasos de pagamento.

Outro sinal de que as famílias dão preferência a sanear orçamentos domésticos a aplicar recursos foi notado nos fundos de renda fixa: os depósitos recebidos por esses fundos em janeiro de 2019 foram 44,9% inferiores aos de janeiro de 2018, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Pode-se supor, também, que os recursos sacados das cadernetas ajudaram a alimentar o consumo das famílias, pois o comportamento do varejo parece ser melhor que o de outros segmentos da atividade.

Por ora, os recursos do SBPE são suficientes para manter a oferta de crédito imobiliário. A questão está no comportamento do mercado imobiliário ao longo deste ano. Em 2018, cresceu expressivamente a demanda por empréstimos habitacionais, que têm nos recursos das cadernetas uma fonte de recursos de custo baixo.

Para evitar desequilíbrio entre oferta e demanda de crédito, os bancos estão ampliando os lançamentos de novos papéis, como as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).

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