Preço da carne faz IGP-M cair em fevereiro

Preço médio das carnes bovinas caiu 4,59% em fevereiro, depois de ter subido 1,95% em janeiro em razão da explosão das importações do produto pela China

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 05h00

Depois de ter subido 1,95% em janeiro, na sequência do processo de alta iniciado no ano passado – em razão da explosão das importações do produto pela China, afetada pela peste suína –, o preço médio das carnes bovinas caiu 4,59% em fevereiro. Esse comportamento contribuiu decisivamente para que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrasse variação de -0,04% no mês, ante alta de 0,48% em janeiro. No ano, o IGP-M acumula alta de 0,44% e, em 12 meses, de 6,82%.

O IGP-M é composto por três índices, o de preços ao produtor amplo (IPA), com peso de 60%; o de preços ao consumidor (IPC), com 30%; e o nacional de custo da construção (INCC), com 10%.

Os dados recentes da FGV sugerem que o processo de ajuste, para baixo, dos preços da carne para os produtores pode estar terminando, mas ainda há espaço para redução para os consumidores. Para estes, o preço da carne acumula alta de 22% em 12 meses, o que indica que pode haver novas quedas. Essas reduções deverão continuar a conter a alta média do grupo Alimentação no IPC, que em fevereiro subiu 0,28%, bem menos do que a elevação de 1,22% em janeiro.

A despeito da alta do dólar, economistas da FGV consideram o cenário tranquilo para os preços no varejo. Eles lembram que o setor produtivo ainda opera com muita capacidade ociosa, o que, em caso de expansão da demanda, permitirá aumentar a produção sem necessidade imediata de novos investimentos.

Além disso, a situação do mercado de trabalho limita o repasse da alta de preços aos consumidores. Embora venha se reduzindo lentamente, o desemprego continua muito alto – a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou a existência de 12,6 milhões de desempregados. Dos que trabalham, 38,4 milhões atuam na informalidade.

O relativo barateamento do crédito, estimulado pela redução da taxa básica de juros (Selic), ainda não resultou na alta da demanda, pois não há aumento significativo na venda de bens duráveis e de serviços.

Dos três componentes do IGP-M, o IPA caiu 0,19% em fevereiro, após alta de 0,50% em janeiro, por causa da redução dos preços dos alimentos industrializados; o IPC variou 0,21%, ante 0,52% em janeiro; e o INCC, 0,35%, ante 0,26% em janeiro.

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