Preços altos afetam mercado do aço

Em abril, houve recuo de 14,2% na compra de aço das usinas siderúrgicas em relação ao mesmo mês do ano passado

O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 04h00

As fortes oscilações na demanda de aço, cujo mercado é um dos termômetros da atividade econômica, reforçam as evidências de desaceleração da economia. Em abril, segundo o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), foram adquiridas 226,3 mil toneladas de aço das usinas siderúrgicas, sob a forma de chapas grossas, laminados a quente e a frio, chapas zincadas a quente, chapas eletrogalvanizadas e chapas pré-pintadas. Houve recuo de 14,2% em relação a abril do ano passado porque os distribuidores seguraram compras, disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro. A principal explicação está no risco de preços, que subiram após o recuo da oferta de minério de ferro pela Vale.

As siderúrgicas conseguiram aumentar os preços. Sem isso, os distribuidores poderiam ficar com estoques a custos elevados e forte ameaça de prejuízos, segundo o Inda.

As vendas de 225,1 mil toneladas em abril caíram 15% em relação a março, mas superaram em 18,1% as de abril de 2018. Ainda com mais força caíram, no mês passado, as importações de aço, num momento de alta das cotações do dólar.

As expectativas do Inda para maio são de uma queda de 5% tanto para as compras como para as vendas de aço.

Estima-se que a produção de aço represente entre 4,5% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB). O aço, de fato, é matéria-prima relevante para os mais diversos segmentos, da construção civil à indústria automobilística, da indústria mecânica à produção de bens de capital.

Entre os principais consumidores estão indústrias de autopeças e montadoras, mas há problemas nesses segmentos. O setor de veículos vinha enfrentando bem a crise, e tem havido aumento da comercialização, mas a queda do mercado argentino não foi totalmente absorvida. Além disso, internamente, cresceu a dependência das aquisições por pessoas jurídicas, como as locadoras, enquanto diminui o peso da aquisições por pessoas físicas.

O mercado do aço está entre os que mais dependem do ritmo da economia no longo prazo, ao fornecer matéria-prima para investimentos em setores industriais como eletrodomésticos, veículos e grandes estruturas, entre outros. Para a indústria do aço, mais importante do que a demanda de consumo de curto prazo será uma retomada de investimentos em infraestrutura.

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