Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Predominam os dados negativos sobre o emprego

População subutilizada é de 28,5 milhões; desalentados bateram recorde de 4,9 milhões

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2019 | 05h00

Em contraste com a redução da taxa de desemprego, que caiu de 12,5% no trimestre dezembro 2018/fevereiro 2019 para 12,3% no trimestre março/maio de 2019, houve vários recordes negativos na última Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Não se pode, portanto, falar em recuperação do emprego qualificado, pois o aumento da economia informal foi determinante para o crescimento de 2,6% da população ocupada entre os trimestres fevereiro/abril de 2018 e de 2019.

O Brasil tem uma força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) de 105,9 milhões e uma população ocupada de 92,9 milhões.

Além da tendência de queda da renda média real dos ocupados, a taxa composta de subutilização da força de trabalho atingiu o recorde de 25%. A população subutilizada (que trabalha menos horas do que queria) atingiu 28,5 milhões de pessoas e o número de pessoas desalentadas (que deixaram de procurar atividade) alcançou o recorde de 4,9 milhões. 

Analistas como o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, notaram leves sinais de melhora do emprego formal, com avanço de 1,6% do número de empregados do setor privado com carteira assinada na comparação entre iguais períodos de 2018 e de 2019. Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, também destacou o crescimento do emprego privado, “mas a porta de entrada (do mercado de trabalho) continua sendo a informalidade”, observou.

Mas os dados divulgados um dia antes pelo Ministério da Economia deram conta de que apenas 32,1 mil vagas com carteira assinada foram abertas liquidamente em maio, pior número para o mês desde 2016, quando o País estava em recessão.

É evidente que as pessoas fazem o que podem para obter rendimentos. É recorde – 24 milhões – o número de brasileiros incluídos no item trabalho por conta própria, aumento de 322 mil em um trimestre e de 1,17 milhão em relação a igual trimestre do ano passado.

Entre os poucos sinais melhores, a indústria voltou a contratar desde março, mas na comparação entre os trimestres março/maio de 2018 e de 2019, o acréscimo de empregos industriais é de apenas 92 mil. No mesmo período, os segmentos de administração pública, educação e saúde empregaram 502 mil pessoas mais.

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