Produção recorde de óleo eleva peso do País no setor

A melhora da posição brasileira decorre de políticas de longo prazo que permitiram produção crescente em águas profundas e da reestruturação da Petrobrás

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2020 | 05h00

O recorde da produção de petróleo registrado no ano passado – aumento da média de 2,587 milhões de barris/dia (b/d) para 2,785 milhões de b/d – permitiu ao Brasil passar, entre 2018 e 2019, da 10.ª para a 9.ª posição no ranking dos maiores produtores de óleo bruto do mundo. É um fato relevante, embora a extração de óleo ainda esteja distante da dos Estados Unidos, da Rússia e da Arábia Saudita, que lideram a classificação com mais de 10 milhões de b/d. A melhora da posição brasileira decorre de políticas de longo prazo que permitiram produção crescente em águas profundas e da reestruturação da Petrobrás.

Como notou o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, “o resultado mostra a pujança da recuperação da indústria brasileira de petróleo e gás e o potencial do pré-sal”. Pela primeira vez na história o País figurou entre os poucos países que produzem mais de 1 bilhão de barris/ano, disse Oddone.

É crescente a produção dos campos do pré-sal, de quase 634 milhões de barris em 2019 (62% do total de 1,018 bilhão de barris extraídos), quase 24% acima de 2018 (521,5 milhões de barris). Também a produção de gás natural teve expressivo incremento, de 40,9 bilhões de m³ em 2018 para 44,7 bilhões de m³ em 2019.

Não só se verificou um crescimento robusto da produção de petróleo no longo prazo, mas também se constatou uma grande evolução nos últimos meses. Em dezembro, apenas a produção de óleo bruto alcançou a marca de 3,1 milhões de b/d, enquanto a extração de gás em campos brasileiros chegou a 137,8 milhões de m³ diários.

Não se deve medir o êxito da política para o petróleo apenas pelas quantidades recordistas de óleo e gás. Além de assegurar um expressivo superávit no comércio exterior da commodity (pois o Brasil ainda importa óleo), muito mais do que compensando o déficit resultante da importação de derivados de petróleo, o governo Michel Temer recuperou a Petrobrás, maior empresa brasileira, que havia sido utilizada nos governos de Lula e Dilma para fins populistas, caso da venda de derivados a preços inferiores aos de custo, em meio à corrupção generalizada.

Um dos aspectos centrais da política da Petrobrás é extrair o máximo de óleo possível, antecipando-se às mudanças previstas na matriz energética contrárias a combustíveis fósseis.

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