Produtividade baixa ao nível de 2012

Taxa atual de produtividade ficou 2,7% abaixo do pico alcançado no primeiro trimestre de 2014

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2019 | 04h00

Depois de ter apresentado uma melhora em 2017, quando registrou alta de 1%, a produtividade da economia brasileira por hora trabalhada ficou estagnada no ano passado, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Verifica-se, com efeito, que a taxa atual de produtividade baixou ao nível de 2012, ficando 2,7% abaixo do pico alcançado no primeiro trimestre de 2014.

O dado chama a atenção, uma vez que, embora elevadíssimo, o desemprego teve pequena queda em 2018, sendo a taxa oficial de 12,4%, em comparação com 13,1% em 2017. Já o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi igual, ficando em 1,1% em cada um dos últimos dois anos.

As indicações são de que cresceu o número de pessoas que, por desalento, não trabalham nem procuram emprego. Paralelamente, houve fechamento de vagas com carteira assinada e avanço no número de pessoas que permanecem na informalidade, hoje estimado em 40 milhões de brasileiros, nível recorde da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

O economista Fernando Veloso, do Ibre, ressalta que o setor formal tem, em média, quatro vezes mais produtividade do que o informal. E, entre as atividades pesquisadas, a que apresenta o pior desempenho foi o setor de serviços, que teve queda de 0,6% da produtividade por hora trabalhada em 2018.

A retração da produtividade nessa área, responsável por 70% do número de horas trabalhadas no País, ocorre pelo quinto ano consecutivo. O cotidiano mostra que milhões de desempregados têm recorrido a “bicos”, como reparos, ajustes técnicos, substituição de prestadores de serviços ou outras formas de trabalho provisório.

Na agropecuária, a produtividade tem variado em função de condições climáticas, mas, ainda assim, cresceu 1,1% em 2018. Já na indústria, que utiliza mais tecnologia e mecanização, com trabalhadores mais qualificados, com carteira assinada, a produtividade por horas trabalhadas avançou 1,3% no ano.

Esses dados enfatizam a necessidade de reformas, com prioridade para a da Previdência, capazes de tornar o ambiente mais favorável à geração de empregos em empresas prontas para a expansão e que tragam novos investimentos para o País, especialmente na infraestrutura.

Tudo o que sabemos sobre:
economia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.