Queda do setor de veículos não é preocupante

Sinais favoráveis, como o da intenção de compra de uma fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo, indicam que continua a haver disposição de investimento no setor de veículos

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2019 | 04h00

A produção e as vendas de autoveículos caíram levemente entre agosto de 2018 e agosto de 2019, o que deve ser visto mais como acomodação do setor após uma fase de retomada do que mudança de tendência. Ainda assim, haverá algum reflexo negativo na produção industrial, pois o segmento de veículos é um dos que mais contribuíam para fortalecer o setor secundário da economia.

Sinais favoráveis, como o da intenção de compra de uma fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo, indicam que continua a haver disposição de investimento no setor de veículos, mesmo que a operação ainda não tenha sido concluída nem se conheçam bem suas condições.

Entre julho e agosto, a produção de autoveículos aumentou 1,1%, para 269,8 mil unidades. Entre os meses de agosto deste ano e do ano passado houve queda de 7,3%, mas nos primeiros oito meses de 2019 ocorreu alta de 2%, para 2,01 milhões de autoveículos. Isso ocorreu apesar do recuo persistente das exportações, em especial para o mercado argentino. As exportações diminuíram 12,8% entre julho e agosto, 34,6% em relação a agosto de 2018 e 37,9% nos primeiros oito meses do ano. É improvável uma reação nos próximos meses, haja vista a fragilidade da economia argentina.

O comportamento dos licenciamentos também indica estabilização do mercado. As vendas caíram 0,3% entre julho e agosto e 2,3% entre agosto de 2018 e agosto de 2019, mas aumentaram 9,9% em relação aos períodos de janeiro a agosto de 2018 e de 2019.

Na falta de perspectivas mais claras quanto ao curto prazo, as montadoras não apenas estão revisando para baixo suas projeções anuais de produção de máquinas e equipamentos, em razão da escassez de financiamentos do Plano Safra, como voltaram a enxugar custos. Em 12 meses, quase 4 mil vagas foram cortadas.

Inflação baixa e juros módicos nos financiamentos ajudam a dar sustentação ao mercado de veículos. O crédito ao consumo, por exemplo, tem ajudado a alavancar as vendas.

Mas, passado o período mais favorável (para as montadoras) de renovação de frotas de caminhões e autoveículos, o setor dependerá, no mercado interno, de menos desemprego, mais renda dos consumidores e recuperação da atividade, pois o mercado externo pouco ou nada ajudará, em vista do excesso de capacidade e da piora da economia global.

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