Recordes nos financiamentos imobiliários

Nos três primeiros meses deste ano, o valor chegou ao recorde, para o período, de R$ 43,1 bilhões, volume 113% maior do que o do período janeiro-março de 2020

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2021 | 03h00

Indicações de um cenário menos favorável nos próximos meses não afetam as projeções otimistas da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) para o crescimento expressivo do volume de financiamentos em 2021. Para uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do País projetada em pouco mais de 3% pelos analistas do mercado financeiro regularmente consultados pelo Banco Central para balizar suas decisões de política monetária, a Abecip prevê aumento de 34% nos financiamentos de casa própria.

Os dados dos últimos meses mostrados em reportagem do Estado (11/5) confirmam o crescimento rápido dos negócios mesmo no período em que a economia foi mais prejudicada pela pandemia. No ano passado, os financiamentos imobiliários alcançaram R$ 124 bilhões, valor 57,5% maior do que o total de 2019. Nos três primeiros meses deste ano, o valor chegou ao recorde, para o período, de R$ 43,1 bilhões, volume 113% maior do que o do período janeiro-março de 2020. Dados como esses reforçam as projeções otimistas para todo o ano.

Mantido o desempenho do primeiro trimestre durante todo o ano, o total de financiamentos superaria R$ 170 bilhões. É com valores dessa ordem de grandeza que a Abecip trabalha em suas projeções para os créditos para a compra de imóveis novos e usados. Há demanda para isso, estima a entidade.

Embora o juro básico venha sendo elevado a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para conter as pressões inflacionárias (o IPCA, que baliza as decisões do Copom, acumula alta de 6,76% em 12 meses), os que incidem nos contratos de longo prazo continuam bastante toleráveis e atraentes.

Isso permite que mais pessoas se interessem por imóvel financiado. Para algumas famílias, com esses juros, a prestação pode ficar abaixo do aluguel, o que estimula a compra.

Isso tem caracterizado o mercado de imóveis para as faixas de renda média e alta. Para as classes mais pobres, as oportunidades são menores por causa da decisão do governo de cortar 98% dos recursos para o fundo que financia o antigo programa Minha Casa Minha Vida, hoje Casa Verde e Amarela.

O aumento de custo de insumos e materiais de construção é outro fator que pode encarecer os imóveis e reduzir os negócios.

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