Recuam no mundo investimentos externos diretos

Entre 2016 e 2018, as entradas desses investimentos no mundo caíram de US$ 1,9 trilhão para US$ 1,3 trilhão

O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 04h00

Embora o Brasil tenha atraído em investimentos diretos no País (IDP) US$ 7,7 bilhões em julho e US$ 94,9 bilhões nos últimos 12 meses, até julho, segundo o Banco Central (BC), houve em 2018 perda de uma posição – do 6.º lugar para o 7.º lugar – nos fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED), segundo o mais recente relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Trata-se, a rigor, de um problema generalizado, pois entre 2016 e 2018 as entradas de IED no mundo caíram de US$ 1,9 trilhão para US$ 1,3 trilhão. A Unctad projeta para 2019 um volume de IED de US$ 1,37 trilhão a US$ 1,5 trilhão, mas, se for confirmado, o montante ainda será muito inferior ao de 2016 e, na melhor das hipóteses, próximo do de 2017.

A diminuição dos investimentos diretos foi influenciada pela reforma fiscal adotada pelos Estados Unidos no final de 2017, avaliam os especialistas responsáveis pela última Carta Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). Nos cálculos da Unctad, que são diferentes daqueles adotados pelo BC, o Brasil recebeu US$ 61 bilhões em IED no ano passado, 9,4% menos do que em 2017. O País arrastou para baixo a América Latina, que recebeu 5% menos investimentos diretos entre 2017 e 2018.

O fluxo de investimentos globais destinou-se principalmente para a Ásia, como a China e o Sudeste Asiático, com destaque para Cingapura, Indonésia, Vietnã e Tailândia. As maiores quedas ocorreram em países desenvolvidos, e foram mais intensas na Europa, em especial na Irlanda e na Suíça. Os Estados Unidos continuaram a ser os maiores receptores de IED no mundo, com US$ 252 bilhões em 2018, mas esse montante foi 9% inferior ao de 2017.

No Brasil, poucos setores registraram alta de IED, como os ramos extrativos (óleo, gás e mineração), o setor automotivo e, na indústria de transformação, minerais não metálicos. Em serviços, os maiores investimentos foram na área financeira e em tecnologia de informação e de comunicação.

O cenário nebuloso que domina, hoje, a conjuntura global é fator capaz de retardar novas decisões de investimento. Em vez de declarações belicosas, cabe ao governo brasileiro agir com cautela, buscando atrair o investidor global, que é essencial para financiar o déficit em conta corrente.

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