Recuperação do comércio mundial e desigualdades

Por meio do comércio, a recuperação da economia dos EUA deverá estender seus efeitos para outros países com relativa rapidez

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2021 | 03h00

Será forte, sobre o comércio mundial, o impacto do pacote de medidas do governo do presidente Joe Biden para estimular a economia norte-americana. A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê uma alta de 8% nas trocas comerciais no mundo neste ano, em grande parte por causa do aumento de 11,4% da demanda da América do Norte, em particular dos Estados Unidos. Por meio do comércio, a esperada recuperação da economia dos EUA deverá estender seus efeitos para outros países com relativa rapidez.

As estimativas da OMC estão, obviamente, sujeitas à evolução de alguns fatores, em particular da pandemia de covid-19. A produção e a distribuição de vacinas, embora animadoras, ainda não são suficientes para atender à demanda global no ritmo ideal, especialmente a dos países menos desenvolvidos. O surgimento de novas variantes do vírus acrescenta alguns graus de incerteza ao quadro sanitário mundial.

As novas projeções da OMC para o comércio mundial de mercadorias são melhores do que as feitas em outubro do ano passado, de expansão de 7,2% neste ano. Também a avaliação das perdas em que o comércio mundial incorreu no ano passado foi revista, de redução de 9,2% no relatório do ano passado, para 7,2% no atual. Se confirmado, o crescimento de 2021 compensará as perdas de 2020.

Mas a recuperação poderá ter fôlego limitado. O crescimento do comércio mundial perderá vigor em 2022, para o qual a OMC previu expansão de 4%, menor do que a observada nos anos anteriores à pandemia.

Outro aspecto que mostra limites ao crescimento esperado para este ano nas trocas comerciais internacionais são as disparidades entre países e regiões. Da mesma forma, persistirão desigualdades no ritmo da vacinação contra a covid-19 nos países desenvolvidos e nos mais pobres.

Mas a retomada do comércio internacional está sendo benéfica para todos. “A forte recuperação do comércio global desde meados do ano passado ajudou a suavizar o golpe da pandemia para pessoas, empresas e economias”, disse a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala.

“Manter os mercados abertos será essencial para a superação desta crise e a distribuição rápida, global e equitativa de vacinas é pré-requisito para a recuperação forte e sustentada de que precisamos”, completou Okonjo-Iweala.

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