Recuperação dos lucros é condição para investir

Em 12 meses, até setembro passado, a análise de 240 empresas registrou retorno de 10,1%, muito superior ao observado em 2017

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 04h00

Está em curso a recuperação dos resultados das companhias abertas, mas estas ainda investem pouco, segundo a última nota do Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec) da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe-USP). A falta de investimentos é o indicador mais negativo do estudo, que contém dados até setembro de 2018. Cabe lembrar que a ocorrência de lucros crescentes é fator decisivo para permitir a renovação ou ampliação dos dispêndios em tecnologia, sistemas de software, máquinas e equipamentos, entre os diversos gastos de investimento das companhias.

Em 12 meses, até setembro passado, a análise de 240 empresas não financeiras de capital aberto registrou retorno de 10,1%, muito superior ao de 5,8% observado em 2017. Excluindo da amostra as companhias Petrobrás, Eletrobrás e Vale, o retorno aumentou de 7,2% em 2017 para 12,4% nos 12 meses até setembro.

A Nota Cemec 02/2019 informa que o custo de capital próprio também caiu, mas ainda é alto. Mais importante é que, nos 12 meses até setembro de 2018, 60,2% das empresas da amostra conseguiram gerar uma taxa de retorno do capital próprio superior à rentabilidade oferecida por títulos públicos líquida de Imposto de Renda. Esta é uma condição “mais favorável à indução de investimentos”. Das companhias avaliadas, 127 estavam nessa situação em 2016, número que evoluiu para 180 empresas na última avaliação.

Para enfrentar o desafio de retomar investimentos é preciso superar obstáculos. Um deles é o alto nível de ociosidade visível em vários setores da economia. Ainda mais grave é a situação fiscal, que ficará indefinida até a aprovação da reforma da Previdência. A indefinição, notou o diretor do Cemec, professor Carlos Antonio Rocca, afeta os planos das empresas de investir em ativos fixos, caracterizados pela falta de liquidez e pelo longo prazo de maturação. A volta dos investimentos depende, portanto, da aprovação das reformas prometidas pelo novo governo.

A recuperação lenta dos investimentos não ocorre apenas nas companhias pesquisadas pelo Cemec. Em 2016, segundo a nota, a taxa de investimento do País era de apenas 15% do Produto Interno Bruto (PIB). E, nos 12 meses até setembro passado, atingiu 15,6%. As famílias e empresas investem mais, enquanto o setor público reduz os investimentos.

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