Recuperação é ampla, mas desigual

Reposição de estoques parece estimular mais fortemente algumas atividades, o que deixa dúvidas sobre a preservação do ritmo atual de expansão

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2021 | 03h00

Resultados positivos de diferentes segmentos vão formando um cenário predominantemente alentador para o desempenho da economia no segundo semestre. Há, porém, diferenças profundas entre a evolução de alguns setores e a de outros. Embora alguns, como 13 entre 15 setores da indústria, já superam os resultados de 2019, como mostrou reportagem do Estado, outros crescem sobre resultados bastante deprimidos (os de 2020, quando a pandemia afetou toda a atividade econômica).

A reposição de estoques parece estimular mais fortemente algumas atividades, o que deixa dúvidas sobre a preservação do ritmo de expansão observado atualmente. Outras, mesmo tendo voltado a crescer, têm um longo caminho a percorrer até repor o que perderam na pandemia e alcançar um nível que possa ser considerado normal.

O quadro, embora muito menos preocupante do que o de há alguns meses, não é, ainda, inteiramente tranquilizador. A vacinação vai cumprindo seu papel de permitir a liberação mais ampla das atividades econômicas e sociais. Mas o surgimento de novas cepas do vírus pode levar a novas medidas de restrição.

No plano econômico, a recuperação até agora não tem resultado em investimentos na ampliação da capacidade produtiva e na modernização das instalações. Em média, os diferentes setores estão retomando o ritmo de atividade anterior ao da pandemia. Mas os juros deverão continuar a subir, dificultando investimentos e o crédito para consumo.

O comércio varejista, em particular, tem um sério desafio à frente. Precisa recuperar a perda em que incorreu no período de restrições severas às atividades presenciais. O economista da Confederação Nacional do Comércio Fabio Bentes estima em R$ 873,4 bilhões a perda do varejo entre fevereiro de 2020 e maio deste ano.

É o resultado agregado de todo o varejo. Examinados em diferentes segmentos, os números mostram grandes discrepâncias. Os supermercados e o varejo de alimentos e bebidas viram seu faturamento aumentar na pandemia. Mas caíram expressivamente as vendas de equipamentos e materiais para escritório, tecidos, vestuário e calçados. Setores como o de turismo e eventos foram os que mais perderam na pandemia. De positivo, a crise levou à expansão do comércio eletrônico, que poderá crescer mais.

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