Recuperação em ritmo firme da Petrobrás

O balanço do segundo trimestre revelou inegável avanço na condução da estatal

O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 04h00

Ainda que o lucro líquido da Petrobrás de R$ 18,9 bilhões no segundo trimestre de 2019 – recorde para o período – tenha se originado principalmente da venda da rede de gasodutos TAG, o balanço do segundo trimestre revelou inegável avanço na condução da empresa. Segue em ritmo intenso o programa de ajustes voltado para o aumento da geração de caixa, a redução do endividamento e o desempenho financeiro, considerado “bom” pela estatal. O pagamento de remuneração de R$ 0,20 por ação preferencial ou ordinária, o dobro do que foi pago relativamente aos lucros do primeiro trimestre, é um ponto alto dos resultados.

O lucro líquido não recorrente foi de R$ 5,2 bilhões no trimestre. Havia expectativas de que fosse ainda maior, mas os investidores receberam bem os resultados e os papéis da empresa negociados em bolsa registravam alta na sexta-feira, um dia após a divulgação do balanço.

Em nota oficial, o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, notou que os resultados foram ajudados pelos preços do petróleo, pela taxa de câmbio e pelas margens de refino (crack spreads). Contribuiu também o avanço na exploração do pré-sal, “com custos de extração mais baixos e óleo de melhor qualidade”.

A Petrobrás ainda tem dívida bruta de US$ 101 bilhões pelo critério contábil da IFRS 16 (que inclui os contratos de arrendamento). Mas o endividamento tem recuado expressivamente desde a gestão Pedro Parente, no governo Temer. Entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, a dívida bruta em dólares caiu 4,7% e a dívida líquida, 12,4%.

O objetivo é uma redução substancial da dívida até 2020, com a aceleração do plano de desinvestimento, que deverá permitir uma redução da alavancagem de 2,5/3 atuais para 1,5. Até julho, a empresa obteve US$ 15 bilhões com a venda da TAG, do controle da BR Distribuidora e de campos maduros de petróleo.

A exemplo de companhias privadas, a estatal está cortando operações onerosas, como a das concessões de gás no Uruguai, e fechando ou enxugando escritórios fora do Brasil.

A Operação Lava Jato ajudou a Petrobrás a afastar a corrupção que grassava na cúpula da empresa. Abriu caminho, assim, para a profissionalização crescente dos quadros e da gestão. A saída da posição de monopólio no refino e no gás deverá ser o próximo passo.

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