Restrições às carnes custam bilhões ao País

Por falta de controles efetivos, o Brasil se tornou alvo de restrições de ordem sanitária ao redor do mundo

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2018 | 05h00

O Brasil vem perdendo espaço no mercado internacional de proteínas animais. Em 2007, o País detinha 23,5% das exportações globais de carnes bovina, suína e de aves, que carrearam US$ 11,1 bilhões e colocavam o País como líder nesse segmento no ranking mundial. Em 2017, a fatia brasileira das vendas globais desses produtos caiu para 17,4% (receita de US$ 15,3 bilhões). É o que mostra levantamento feito pelo vice-presidente da Sociedade Rural Brasil, Pedro de Camargo Neto, com base em dados do International Trade Center (ITC).

O Brasil caiu para o segundo lugar no ranking, vindo depois dos Estados Unidos. Isso porque o comércio internacional de proteínas animais cresceu 86,4% no período considerado, enquanto as vendas brasileiras desses produtos avançaram 38%. Se o País tivesse mantido a sua posição, poderia ter amealhado mais US$ 30 bilhões.

O protecionismo pode ser parte da explicação, mas, por falta de controles efetivos, o Brasil se tornou alvo de restrições de ordem sanitária ao redor do mundo. As vendas de carne bovina in natura para os EUA, por exemplo, foram interrompidas por causa da ocorrência de abscessos da vacina de febre aftosa. A resolução dessa pendência exigiu negociações, que terminaram com a reabertura do mercado americano.

Quanto à carne suína, as vendas para a Rússia foram suspensas em razão de detecção da presença de um medicamento proibido naquele país. Também foram necessárias negociações com o governo russo, que liberou seu mercado para o produto brasileiro em novembro. As exportações de carne suína, porém, devem cair 8% neste ano, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Também as vendas de carne de frango devem sofrer uma retração de 1,7% este ano, e um dos motivos foi a detecção da bactéria salmonela em carne de aves pela União Europeia.

É oportuna, portanto, a orientação que a deputada Tereza Cristina, indicada para chefiar o Ministério da Agricultura, pretende impor por meio do convencimento. Ao lado da ação de órgãos oficiais de vigilância sanitária, disse ela, será preciso que o setor empresarial adote um sistema de autocontrole, seguindo protocolos de qualidade e segurança, assumindo sua responsabilidade para recuperar a reputação das carnes brasileiras.

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