Risco Brasil cai e facilita entrada de recursos

Credit Default Swap atingiu 98 pontos e está no menor nível desde dezembro de 2010, quando o Brasil era classificado como investment grade pelas agências de avaliação de risco

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2019 | 04h00

A redução do custo do seguro contra calotes do Brasil medida pelo Credit Default Swap (CDS) para menos de 100 pontos é um indicador forte da percepção do investidor estrangeiro de que o País tem contas sólidas o bastante para justificar o ingresso de novas aplicações. É, assim, um fato importante tanto do ponto de vista do ingresso de capitais de curto ou médio prazos – por exemplo, provenientes da venda de papéis soberanos ou títulos emitidos por companhias privadas – como de capitais de longo prazo, contabilizados no item Investimento Direto no País (IDP) do balanço de pagamentos.

O CDS mede o risco Brasil em relação ao risco norte-americano. A marca de 98 pontos do CDS atingida dia 16 de dezembro significa que o risco Brasil obriga o investidor que quer se proteger a pagar cerca de um ponto porcentual ao ano em relação ao que pagaria para se proteger de um calote dos Estados Unidos.

É o menor nível desde dezembro de 2010, quando o Brasil era classificado como investment grade pelas agências de avaliação de risco.

A trajetória do CDS não é regular. Aproximou-se dos 500 pontos em 2016, no governo Dilma, oscilou muito no governo Temer, chegando a 207 pontos em fins de 2018, e diminuiu, neste ano, com a aprovação da reforma da Previdência.

Após uma fase desfavorável para as aplicações em carteira nos países emergentes, a redução das tensões comerciais entre Estados Unidos e China poderá permitir uma mudança para melhor. Mais facilidades para tomar recursos tornarão menos complexa a tarefa de administrar a economia. A última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que “o cenário segue relativamente favorável para economias emergentes”.

A melhora da percepção dos investidores expressa no custo do CDS vem num momento em que a tendência é de o Brasil ter maior déficit na conta corrente do balanço de pagamentos. Mas esse aumento do déficit não parece predominar nas avaliações dos investidores, o que explica as expectativas de que o IDP continuará expressivo. Em 12 meses, até outubro, o IDP alcançou US$ 79,5 bilhões, suficientes para financiar o déficit corrente de US$ 54,8 bilhões.

A queda do risco Brasil contribuirá para o financiamento do déficit corrente, estimado em US$ 60 bilhões para 2020

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.