Ritmo ainda lento de retomada dos serviços

Deve-se esperar uma recuperação mais intensa no quarto trimestre, se a crise sanitária mostrar sinais mais claros de controle

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 03h00

Confirmou-se, em agosto, a recuperação do setor de serviços, que cresceu 2,9% em relação a julho e 11,2% no trimestre junho/agosto. Mas o ritmo da retomada é muito inferior ao constatado na indústria e no comércio varejista, confirmando a tendência de recomposição insatisfatória do volume de serviços prestados à economia, que caíram 19,8% entre fevereiro e maio, período em que foram mais intensos os efeitos da pandemia de covid-19 sobre a atividade econômica.

Embora muito dependentes do que ocorre na indústria e no comércio, os serviços são os maiores contribuintes do Produto Interno Bruto (PIB), do qual participam com mais de 70%. Nos últimos 12 meses, até agosto, a queda dos serviços ainda alcança 5,3%, pior resultado da série estatística iniciada em 2011, o que ajuda a explicar as estimativas de um recuo do PIB da ordem de 5% neste ano.

Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre julho e agosto houve crescimento em quatro das cinco atividades investigadas, com destaque para serviços prestados às famílias (33,3%), que registraram a maior taxa histórica positiva da PMS, mas ainda é 41,9% inferior à de fevereiro deste ano. O item transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio avançou 3,9% no período. Houve ganho acumulado de 18,8% nos últimos quatro meses, que não compensa a queda de 25,2% apurada entre março e abril de 2020.

O setor de serviços depende de múltiplas atividades que mal puderam ser preservadas na pandemia, como escolas, academias, parques, cinemas, salões de beleza ou atividades profissionais. Mesmo nos casos em que o atendimento não presencial era possível, muitas famílias adiaram ou reduziram a demanda. O isolamento social dos grupos de alto risco afastou clientes de consultórios médicos, de hospitais e até de cabeleireiros. Só nas últimas semanas bares e restaurantes com horário restrito de atendimento retomaram a atividade.

Outros segmentos do setor igualmente vão, aos poucos, reiniciando suas atividades dentro de regras definidas pelas autoridades. Deve-se esperar, portanto, uma recuperação mais intensa dos serviços no quarto trimestre, se os indicadores de maior controle da crise sanitária se tornarem evidentes, como sugeriram dados sobre queda do número de casos, de hospitalizações e de óbitos.

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