Ritmo da atividade limita a melhora do emprego

Um total de 27,4 milhões de pessoas se encontravam, no final do ano passado, em situação de subutilização, em decorrência de desemprego, insuficiência de horas trabalhadas ou desalento

O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2019 | 04h00

O nível de desemprego de 11,6% registrado em dezembro de 2018 caiu 0,3 ponto porcentual em relação ao de setembro de 2018 e 0,2 ponto em relação ao de dezembro de 2017, mas não só a melhora foi inferior à prevista por especialistas e é considerada muito pequena, como persiste o estado de deterioração do mercado de trabalho. Um total de 27,4 milhões de pessoas se encontravam, no final do ano passado, em situação de subutilização, em decorrência de desemprego, insuficiência de horas trabalhadas ou desalento, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados do IBGE contrastam com os do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que mostraram um aumento de meio milhão de trabalhadores com carteira assinada no ano passado. Segundo a Pnad Contínua relativa ao trimestre outubro-dezembro de 2018, o número de empregados com carteira assinada é da ordem de 33 milhões, estável tanto em relação ao trimestre julho-setembro como em relação a igual período de 2017. A ocupação cresce somente entre os trabalhadores por conta própria e os informais. Além disso, o número de pessoas ocupadas no último trimestre de 2018 foi ajudado pela contratação de 381 mil pessoas, em parte devido à demanda para as promoções da Black Friday, em novembro.

Entre os segmentos que mais cortaram pessoal estão a construção civil e a indústria geral, mas também houve cortes na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Indicadores positivos vieram das contratações no comércio, reparação de veículos automotores e bicicletas, em transporte, armazenagem e correio e no grupamento alojamento e alimentação, além dos setores de serviços, que mais abrigam trabalhadores informais. “Hoje, um quarto da população brasileira que trabalha atua por conta própria”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Conquanto lenta, a retomada da economia provocou leve melhora real dos rendimentos usuais do trabalho. Estes passaram de R$ 201,2 bilhões em dezembro de 2017 para R$ 204,6 bilhões em dezembro de 2018 (+1,7%). Os dados, estimados pela consultoria Schwartsman&Associados, indicam que também é lenta a melhora da renda das pessoas.

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