Salários não acompanham a inflação

A alta mais acentuada dos preços nos últimos meses vem criando um fosso entre a inflação e o reajuste salarial acordado nas negociações coletivas de trabalho

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2021 | 03h49

A alta mais acentuada dos preços nos últimos meses vem criando um fosso entre a inflação e o reajuste salarial acordado nas negociações coletivas de trabalho. A variação acumulada de 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado mensalmente pelo IBGE e que baliza as negociações entre empregados e empregadores, permaneceu abaixo de 3% entre maio e setembro. Mas começou a subir em outubro e, em março deste ano, chegou a 6,2%. A correção dos salários, porém, não tem acompanhado essa alta.

Nos dois primeiros meses desse período de alta da inflação, o reajuste mediano dos salários acertado nas negociações coletivas até conseguiu acompanhar os preços. Mas passou a ficar para trás em dezembro (INPC de 5,2% e reajuste de 4,5%).

Conseguiu alcançar a inflação em fevereiro, mas voltou a ficar para trás em março (INPC de 6,2% e reajuste mediano de 5,5%). São dados compilados pelo Salariômetro, iniciativa da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo para apresentar informações e análises sobre o mercado de trabalho.

Nos períodos de crescimento, há predominância de negociações que asseguram aumento real de salários. Na pandemia, porém, a maioria das negociações prevê redução real dos salários. Nas concluídas em março, por exemplo, 64,2% das negociações não repuseram a inflação.

“Inflação que sobe, reajuste que baixa”, observa a publicação. Mas, como ressalta em seguida, “a vida continua”. E continua com o fortalecimento de mudanças nos acordos e convenções coletivas de trabalho que já se observavam há algum tempo e de outras que a pandemia fez surgir. Em boa medida, são mudanças que tornam o mercado menos engessado.

Das negociações concluídas no primeiro trimestre, 18,7% têm vigência maior do que um ano. É a maior porcentagem da série de pesquisa da Fipe. Em 2016, por exemplo, apenas 9,6% dos acordos e convenções coletivas valiam por mais de um ano. Com a reforma trabalhista, esse porcentual cresceu, com exceção de 2020, um ano por si excepcional.

As negociações recentes tratam menos de assuntos sindicais e mais de condições de trabalho. Mostram também mais disposição dos empregadores de negociar condições para a manutenção do emprego.

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