Salários perdem a corrida para a inflação

Com a aceleração da inflação e o crescimento modesto da economia, que não permite a ampliação do emprego, a remuneração real dos trabalhadores tende a ficar estagnada ou mesmo cair

Notas & Informaçõe, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2021 | 03h00

Era previsível, mas não deixa de ser dramático para milhares de famílias. Os salários voltaram a perder a corrida com a inflação. “Julho foi o mês mais cruel (para os trabalhadores assalariados) em 12 meses”, afirma o mais recente boletim Salariômetro, elaborado por técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo.

O Salariômetro acompanha as negociações coletivas (acordos entre empresas e seus empregados e convenções entre sindicatos patronais e de empregados) registradas no Ministério da Economia. Os dados de julho mostram o que já se podia esperar.

Com a aceleração da inflação e o crescimento modesto da economia, que não permite a ampliação do emprego, a remuneração real dos trabalhadores tende a ficar estagnada ou mesmo cair. No momento, em média já começou a cair.

A pandemia dificultou a vida para todos – no mercado de trabalho, tanto para empregados como para empregadores. Em 12 meses, em nenhum o reajuste mediano dos salários negociados coletivamente entre eles superou a inflação. Mas, na maioria dos meses, pelo menos evitou perdas reais, o que ocorreu em quatro oportunidades. Mesmo nesses casos, porém, as perdas reais foram inferiores a 1,0%.

Em julho, o reajuste mediano negociado ficou em 7,6% para uma inflação acumulada de 12 meses de 9,2%. A perda, portanto, foi, em média, de 1,6 ponto porcentual. Daí o adjetivo “cruel” utilizado pelo Salariômetro para avaliar o resultado do mês.

O referencial de inflação utilizado pela Fipe é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a oscilação dos preços de bens mais consumidos por famílias com renda de um a cinco salários mínimos. Por isso, é o índice utilizado como parâmetro para negociações salariais. Nesse indicador, é grande o peso de itens de consumo doméstico dessas famílias, como os alimentos e o gás de cozinha, cuja alta tem sido expressiva nos últimos meses.

Com baixa oferta de empregos, os trabalhadores têm menor poder de barganha para negociar salários. Como a economia cresce muito pouco, as empresas não conseguem repor a inflação nos salários, pois se o fizessem teriam de repassar para o preço final num momento de baixa demanda. Os sinais são de que esse quadro deve se manter nos próximos meses, se não piorar

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