Salários tiveram aumento real em fevereiro

A expectativa era de que os reajustes de 2020 continuassem a superar a inflação, mas, acrescente-se, essa hipótese dificilmente poderá se concretizar em vista da crise

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2020 | 03h00

Com um reajuste mediano de 4,5% acumulado nos últimos 12 meses, até fevereiro, os salários avaliados pelo Ministério da Economia registraram um pequeno aumento real em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que subiu 4,3% no período. É mais uma evidência de que, não fosse o impacto brutal da pandemia do coronavírus sobre as economias mundial e brasileira, seria positiva a perspectiva de recuperação da renda dos trabalhadores com carteira assinada, em decorrência de modesta, mas não desprezível, melhora do ritmo da atividade econômica.

A evolução dos salários é constatada no boletim Salariômetro de março, elaborado pelo professor Hélio Zylberstajn, da Fipe-USP, com base na página Mediador do Ministério da Economia. Depois de dois meses seguidos sem ganhos reais, mais da metade dos reajustes negociados em fevereiro (58,1%) superou a inflação, enquanto 16,1% se equipararam à variação inflacionária e 25,8% ficaram abaixo do índice. Entre os pontos de destaque do Salariômetro está o fato de que se recupera a atividade negocial dos sindicatos, de tal sorte que atingiu 87% a proporção das convenções para ajuste salarial em relação ao mesmo mês de 2017, ano da reforma trabalhista. A expectativa apontada no estudo de fevereiro era de que os reajustes de 2020 continuassem a superar a inflação. Mas, acrescente-se, essa hipótese dificilmente poderá se concretizar em vista da crise.

A Fipe faz uma severa crítica a políticas que preveem a redução de salários, recordando o malogro do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) adotado em 2015 no governo de Dilma Rousseff. O PPE previa a redução temporária da jornada de trabalho com corte de até 30% dos salários. O governo arcava com 15% da redução salarial, usando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo Zylberstajn, o PPE não “emplacou”. E mais: “Foi adotado em apenas 217 acordos de redução de jornada e salários. No mesmo período, 601 empresas abriram mão dos incentivos do PPE e fizeram acordos com o mesmo objetivo, mas sem o controle do governo. O PPE foi usado em apenas 27% dos casos. É uma mensagem valiosa para não repetir os mesmos erros nos tempos da covid-19”.

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