Saldo das cadernetas volta a cair

Com retiradas líquidas de R$ 16,278 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, poupança inverte tendência de recuperação

O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 04h00

Com retiradas líquidas de R$ 16,278 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, as cadernetas de poupança invertem a tendência de recuperação que mostravam desde 2017. Retomam, desse modo, o desempenho que apresentaram em 2015 e 2016, durante a crise.

Em março, o volume de depósitos superou o de saques, de modo que o saldo cresceu no mês. Mas, em abril, de acordo com dados do Banco Central, essa modalidade de aplicação que atende principalmente o público de renda mais baixa teve retiradas líquidas de R$ 2,878 bilhões (saques de R$ 201,467 bilhões e depósitos de R$ 198,589 bilhões).

Oscilações no saldo de um mês para outro não são raras (em abril o saldo foi de R$ 792,89 bilhões). Mas o resultado acumulado do período janeiro-abril pode antecipar uma tendência. Nos quatro primeiros meses do ano, os saques alcançaram R$ 776,59 bilhões, enquanto os depósitos ficaram em R$ 760,31 bilhões.

Saídas líquidas no ano não se registravam desde 2016, no auge da crise decorrente da desastrosa política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff e do processo que levou a seu impeachment naquele ano. A recuperação das cadernetas começou já no ano seguinte, quando o saldo total voltou a crescer. No ano passado, o processo de crescimento dos saldos se intensificou, estimulado pela retomada do emprego e da renda. Em 2018, a poupança registrou captação líquida de R$ 38,26 bilhões.

O aumento da poupança no ano passado ocorreu a despeito de o rendimento dessa modalidade de aplicação ter diminuído em relação aos anos anteriores. Atualmente, a poupança é remunerada pela taxa referencial (TR), que está próxima de zero, mais 70% da taxa Selic, a taxa básica da economia fixada pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, que vem sendo mantida em 6,50% ao ano desde março do ano passado. Essa regra vale sempre que a TR estiver abaixo de 8,50% ao ano. Quando estiver acima, a correção da poupança é pela TR mais 0,5% ao mês.

O que mudou neste ano foi o cenário econômico. A expectativa de retomada mais intensa da atividade econômica com a posse do novo governo em 1.º de janeiro não se confirmou. A taxa de desemprego não diminuiu e a renda média não subiu. Sobra menos no orçamento das famílias para aplicar em poupança.

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