São Paulo derruba índices regionais da indústria

Queda foi de 1,4% entre junho e julho; porém, setor de fabricação de veículos evitou números ainda piores

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 04h00

Dada a elevada participação paulista na produção manufatureira do País, a queda de 1,4% registrada em São Paulo entre junho e julho foi determinante para o fraco desempenho do setor secundário (-0,3%) no período. As taxas foram negativas em 8 dos 15 locais objetos da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre junho e julho, os piores indicadores foram registrados no Amazonas (-6,2%, em decorrência do recuo do segmento de bebidas) e em Pernambuco (-3,9%, sob o impacto da queda da cadeia de produtos químicos, de tintas a pesticidas, segundo o IBGE).

A maior alta ocorreu no Rio de Janeiro (+6,8%, porcentual que se explica pelos bons números da indústria extrativa de petróleo e da atividade de refino). Outras taxas positivas foram observadas em Mato Grosso, Paraná, Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais.

A fragilidade dos indicadores da indústria é um dos mais graves problemas da economia brasileira. E, pior, a recuperação não está à vista. Entre as agravantes, houve queda em julho, apesar de o mês ter tido um dia útil a mais do que junho, o que poderia contribuir para números melhores.

Pelo critério de média móvel trimestral, houve diminuição de 0,4% entre os períodos encerrados em junho e em julho, com taxas negativas em nove dos locais pesquisados. Comparativamente a julho de 2018, o recuo atingiu sete locais.

Segmentos específicos evitaram números ainda piores ou permitiram recuperação em algumas regiões. Em São Paulo, o recuo foi atenuado pelo setor de fabricação de veículos. No Paraná, o resultado industrial foi positivo em razão do comportamento de itens como veículos automotores, reboques e carrocerias, além de máquinas para colheita e tratores agrícolas.

Se o segmento de veículos exibir resultados menos expressivos nos próximos meses, como sugeriram alguns dados relativos a agosto, a indústria terá maiores dificuldades para se recompor. Além da crise na Argentina, grande consumidora de veículos e de autopeças produzidos no País, teme-se uma desaceleração global do setor automotivo.

Fatores como juros e inflação menores no Brasil poderiam ajudar mais a retomada da atividade em geral e da indústria, em particular, se fossem acompanhados de melhora mais evidente do emprego.

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