Saques superam depósitos em poupança no ano

Interrupção do pagamento do auxílio emergencial – retomado em abril – ocorreu num momento de aumento de despesas como alguns impostos e gastos com matrículas e material escolar

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2021 | 03h00

A evolução do saldo total das cadernetas de poupança nos três primeiros meses de 2021 retrata o ambiente de dificuldades maiores para as famílias e para a atividade econômica em geral. Em março, os brasileiros retiraram R$ 3,524 bilhões líquidos dos depósitos em poupança, de acordo com relatório divulgado pelo Banco Central. Foi o terceiro mês consecutivo de saques maiores que depósitos.

No resultado acumulado do primeiro trimestre, as retiradas alcançaram R$ 27,542 bilhões. No período, o resultado negativo mais notável foi registrado em janeiro. Foi o mês em que se observou a mudança na tendência dos depósitos em poupança que se observava desde março de 2020.

 

Ao longo do ano passado, os depósitos em poupança – procurados preferencialmente por famílias de renda mais baixa – foram impulsionados por um comportamento que o Banco Central chamou de “poupança precaucional”. Eles eram explicados em boa parte pela maior cautela das famílias na administração de suas finanças diante de um problema que chegara ao País em fevereiro. Embora de dimensões não previsíveis no início, o problema sanitário causado pela chegada da covid-19 logo passou a afetar severamente a vida das pessoas e a economia.

Preocupadas com a manutenção do emprego e diante do risco de perda de alguma renda futura, muitas famílias apertaram o controle de suas finanças e passaram a aplicar na poupança as sobras de seu orçamento. O pagamento do auxílio emergencial a partir de abril, no valor de R$ 600 por mês, ampliou a fatia disponível para poupar. Mesmo com a redução do valor do benefício para R$ 300 nos quatro últimos meses do ano, os depósitos em poupança continuaram a superar os saques.

Além de aumentar a margem da poupança financeira, o benefício estimulou o consumo das famílias. Muitas também buscaram alguma forma de crédito.

O quadro mudou no fim do ano. A interrupção do pagamento do auxílio emergencial – retomado em abril – ocorreu num momento de aumento de despesas como alguns impostos e gastos com matrículas e material escolar. Mais brasileiros precisam de mais recursos para fechar suas contas. E a economia dá sinais de que a recuperação, observada já no segundo semestre do ano passado, perdeu impulsão. São estímulos a saques na poupança

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