Segundo o BC, reservas estão bem aplicadas

Reservas internacionais de cerca de US$ 376 bilhões permitem equilibrar oferta e demanda no mercado cambial

O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 04h00

Com reservas internacionais de cerca de US$ 376 bilhões, nível que se mantém com pouca oscilação há vários anos, o Brasil está em posição confortável no plano cambial. Gestor das reservas, o Banco Central (BC) pode agir equilibrando oferta e demanda no mercado cambial, atenuando movimentos especulativos. Há alguns dias, a venda de pouco mais de US$ 1 bilhão foi suficiente para evitar oscilações bruscas.

A atuação do BC no mercado cambial é favorecida por uma política segura de administração das reservas. O Relatório de Gestão das Reservas Internacionais, divulgado há pouco, mostra que em 2018 houve ganhos na manutenção do volume de reservas. Muitos economistas acreditam que o Brasil dispõe de mais reservas do que precisaria ter. O estudo do BC busca afastar essas controvérsias.

Em 2018, segundo o relatório, “as reservas apresentaram um resultado positivo de 1,17%”. Isso se explica pela valorização do dólar norte-americano ante as demais moedas e pelo fato de que quase 90% das reservas do País estão aplicadas em dólares. A alta dos juros nos Estados Unidos no ano passado ajudou os resultados da gestão das reservas. Se a comparação for feita com os Direitos Especiais de Saque (DES, a moeda virtual do Fundo Monetário Internacional), o resultado das reservas brasileiras em 2018 passa a ser de 3,59%.

A responsabilidade pela gestão das reservas é da diretoria colegiada do BC. A gestão baseia-se em três pilares: carteira de referência, limites operacionais e mensuração de resultados. Diariamente, são monitorados os riscos de mercado, de crédito, de liquidez e operacional. Ao contrário do que o BC admitia, não ocorreram até agora, em 2019, os riscos temidos: aceleração do processo de alta dos juros nos Estados Unidos; escalada nas tensões comerciais; desaceleração forte da economia chinesa; volatilidade decorrente de eventos políticos, como o Brexit (a saída da Grã-Bretanha da União Europeia); e um aumento inesperado das taxas de inflação.

Não há resposta cabal à dúvida sobre o nível ideal de reservas que o Brasil deve ter. Tampouco se pode ter a certeza de que uma redução paulatina das reservas com vistas a reduzir a dívida pública seria uma política isenta de riscos. O que cabe notar é que o BC trata com zelo a gestão das reservas, inspirando-se nas melhores práticas internacionais.

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