Sem aumento da energia, haveria deflação

A falta de demanda impede as empresas de transferir aumentos de custo para os consumidores

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 04h00

A inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de apenas 0,09% entre agosto e setembro e teria sido negativa não tivesse a energia elétrica registrado seu oitavo aumento mensal consecutivo, acumulando 11,55% entre fevereiro e setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isoladamente, a contribuição da energia elétrica para a alta do índice foi de 0,12 ponto porcentual, ou seja, 0,03 ponto acima do IPCA-15.

Mais uma vez o indicador mostrou como é lento o ritmo da atividade econômica. A falta de demanda impede as empresas de transferir aumentos de custo para os consumidores. Isso se verifica no setor privado, mas só em parte vale para empresas estatais e para concessionárias de serviços públicos. A volta da bandeira tarifária vermelha para a eletricidade, aplicada em caso de insuficiência de chuvas, elevou em R$ 4,00 o valor da conta de luz a cada 100 Kw/h consumidos. Também aumentaram as tarifas de gás encanado e de água e esgoto, destacando-se as altas em Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro. 

Foram iguais os índices de inflação medidos pelo IPCA-15 nos meses de setembro de 2018 e de 2019 (0,09%) e a variação quase nula em relação a julho (0,08%). O acumulado de janeiro a agosto de 2019 é de 2,6% e o de 12 meses é de 3,22%. Os preços medidos pelo IPCA-15 evoluíram pouco (menos de 0,40%) no trimestre julho-setembro em 10 das 11 localidades pesquisadas pelo IBGE. Só em São Paulo a alta foi maior (0,44%). 

Entre agosto e setembro houve queda dos preços do item alimentação e bebidas, artigos de residência e comunicação. Subiram menos de 0,10% os itens educação, saúde e cuidados pessoais, transportes e despesas pessoais. As maiores pressões vieram de vestuário e habitação.

Índices baixos de inflação ajudam as famílias a melhorar o padrão de vida. O poder aquisitivo dos salários é preservado ou aumentado, sempre que corrigidos pelas empresas. 

Mais do que isso, inflação contida permite que o Banco Central corte a taxa básica de juros, criando condições para que também diminuam os juros ativos (cobrados dos clientes pelos bancos). Lamentavelmente, o ritmo de queda dos juros bancários não acompanha o ritmo de queda da taxa básica. O que, por sua vez, limita a expansão do crédito.

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