Sem sinais de recuperação no setor aéreo

No mês de agosto, a demanda global por transporte aéreo foi 75,3% menor do que a de um ano antes

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 03h00

Não há como discordar da avaliação do diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, da sigla em inglês), Alexandre de Juniac, sobre o desempenho das companhias aéreas em agosto. Foi desastroso, disse Juniac, completando que esta foi a pior temporada de verão (no Hemisfério Norte) para o setor de que se tem notícia.

Os números, de fato, impressionam. Em agosto, a demanda global por transporte aéreo, medida pela receita por passageiro-quilômetro transportado (RPK), foi 75,3% menor do que a de um ano antes. A queda não deixa dúvida de que a aparente recuperação a partir de junho era frágil. E as projeções para os últimos meses do ano são igualmente sombrias.

A oferta de assentos (assentos disponíveis por quilômetro) teve queda de 63,8%; o fator de utilização caiu para 58,5%, o menor nível para agosto em todos os registros da Iata.

O quadro é ainda pior na América Latina, com queda de 82,8% na receita e de 77,5% na oferta de assentos. O nível de utilização da oferta ficou em 63,9%. Os resultados das empresas do Brasil são um pouco melhores: 67,0% de perda de receita em relação a agosto de 2019 e de 64,3% na oferta de assentos; o nível de utilização da capacidade ofertada foi de 76,1%.

O transporte aéreo, como outras atividades vinculadas ao setor de turismo, está entre os segmentos mais afetados pela crise econômica decorrente da pandemia de covid-19. Dados como os que a Iata apresenta mostram o tamanho das dificuldades que as companhias aéreas precisam superar. Muitas não estão conseguindo ultrapassar obstáculos como esses.

“A recuperação da demanda internacional é virtualmente inexistente e os mercados domésticos na Austrália e no Japão realmente regrediram em face dos novos surtos e restrições de viagens”, avaliou o diretor-geral da Iata.

Se a temporada de verão foi ruim, a de inverno (igualmente no Hemisfério Norte) será no mínimo desafiadora para a indústria da aviação, de acordo com o economista-chefe da Iata, Brian Pearce. Dados antecipados, como as reservas, mostram queda para os três últimos meses do ano (de 76% em outubro, 81% em novembro e de 76% em dezembro, na comparação com os mesmos meses de 2019). São números que antecipam um trimestre ainda mais fraco do que o de julho a setembro.

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